11/11/2011

A morte está ao seu lado

O anjo aguarda para te levar ao além e conta os minutos para sua morte, o apodrecer da sua carne e enegrecimento da sua visão, que te faz enxergar as coisas a sua volta mortas também. É uma sensação que te acompanha, não importa o quanto você tente escapar dela, não importa o que você faça e o quão árduo seja o esforço para evitá-la. É com essa introdução fúnebre e pesada que o artigo começa, falando de morte, mais especificamente da morte do Rock/Metal, e com um foco especial na declaração de Edu Falaschi, vocalista do Angra e Almah, e atual apoiador da ideia de Thiago Bianchi sobre a morte do Metal nacional.

É o seguinte, o Rock e Metal estão mortos. Nosso deus-mor também está morto. E suas mortes são determinadas a partir de um único fato: a falta de divulgação desses estilos, que não faz a geração viver ou conhecer a fundo seus significados reais, o que gera conceitos errôneos, preconceitos, banalização, desprezo, etc. Tal fenômeno não acontece apenas com o Rock/Metal, mas com outros estilos musicais mais velhos, que são passados pra trás pelos estilos mais novos, que também são rapidamente esquecidos.

Por que isso acontece? Porque estamos vivendo na Era da Desinformação, onde as informações são dadas rapidamente, sem controle e sem parar, vindas de todos os lugares possíveis. A mente fica sobrecarregada e cansada por ter que assimilar tanta coisa ao mesmo tempo e não consegue entender nada profundamente, não consegue absorver todo o conhecimento recebido e só consegue ter visões e conceitos superficiais sobre tudo. Ao mesmo tempo que a mente não consegue lidar com tanta informação, as mesmas chegam rápido e vão rápido. Tecnologias, conceitos, técnicas, tudo morre para dar lugar ao novo, que daqui a uma semana já será velho e será substituído também, continuando com ciclo de informação desenfreada. Esta é a era em que pessoas não conseguem lidar com o que têm, e tentam se adaptar o máximo possível ao monstro que elas mesmas criaram.

Isso se reflete na maneira que as pessoas se apegam as coisas. Tomemos como exemplo o Rock, o estilo morto. Não se vê mais o amor pelo estilo que havia outrora, gente veste camisas de bandas apenas para aparecer, pessoas compram CDs e outras obras artísticas apenas se forem MUITO fãs, estilos morrem enquanto outros nascem do seu cadáver já com sua figura deturpada, e a antiga rebeldia e transgressão que caracterizavam o gênero já não existe mais. E todos aqueles que sentem essas coisas decidem por, ou desistir do Rock por acharem que já contribuiram bastante com ele, ou se dedicam a ele até as últimas consequências. Como dito no parágrafo anterior, a relação das pessoas com o Rock é adaptada a realidade atual, e por isso é frágil e delicada. A realidade é uma só: de Rock só resta o espírito que se abriga em todos aqueles que o guardam em si, pois seus anos dourados já passaram.

É esta morte que muita gente e também artistas sentem, especialmente no Brasil que tem tantas culturas e influências mescladas, deixando nosso estilo sacrossanto mais difícil de ser louvado. Há alguns meses, o vocalista da banda Shaman Thiago Bianchi decidiu dar sua opinião sobre esse fato e apresentou uma proposta audaciosa de instaurar o Dia do Heavy Metal Brasileiro, com o objetivo de divulgá-lo e fazer as pessoas se interessarem mais pelo gênero, e também sustentar as bandas que já sentem seu bolso doer. E mais recentemente, Edu Falaschi também entrou no time de Bianchi na luta a favor do Metal brazuca, quando fez um show no Carioca Club em São Paulo no festival Dia do Metal. Depois que ele viu o número escasso de pessoas que compareceram ao evento, Edu aproveitou que a Rock Express estava o entrevistando e desabafou:


Tanto Thiago quanto Edu colocam a culpa do Metal nacional não ser louvado no público - aliás, num tipo específico de público, que é o que prefere prestigiar bandas internacionais ou que simplesmente não mostra o amor necessário que a banda precisa (leia-se comprando seus CDs, indo a shows, etc).

Sim, existem brasileiros que só dão valor ao internacional... mais especificamente que têm Complexo de Vira-Lata, que é quando a pessoa se sente desprezível, indigente, um saco de merda fedido e digna de pena; e que por isso começa a admirar países que são mais "desenvolvidos", onde tem gente feliz e contente. Assim a pessoa começa a endeusar tais países e deteriorar sua própria imagem e seu próprio país para pagar pau para os outros, como disse Edu no vídeo. Que imagem épica essa do lado!

Mas como dito em outras páginas internéticas (Collector's Room e Whiplash!), o buraco é bem mais embaixo, e não se restringe apenas aos que não vão aos shows de bandas nacionais porque preferem as gringas... Há os que simplesmente não tem dinheiro para ir em todos os shows que quiser e estabelecem para si suas melhores escolhas; há os que são desinteressados no artista a ponto de gostar dele apenas superficialmente; os que não curtem apenas Metal, mas outros gêneros; os que só compram CDs e não vão a shows, entre muitos outros exemplos específicos. E ainda temos a falta da divulgação que as próprias bandas fazem de si mesmas - o que faz elas serem apagadas aos olhos de todos; a tecnologia que está substituindo cada vez mais as obras fonográficas antigas; o interesse pelo que é mais acessível... Tudo isso mostra que vários fatores estão envolvidos nessa questão, e tratá-la de modo tão superficial é tirar uma conclusão tão simplista quanto "O Metal nacional tá morrendo porque o povo só gosta de gringo".

A morte do Rock/Metal tem seus muitos fatores, todos bem conhecidos por nós. E nós somos os sobreviventes ou guardadores dos rituais de uma seita/religião quase extinta no mundo por causa da nossa querida religião rival - Igreja Universal Iniciática Pop, e guardamos e passamos nossas crenças a frente através do tempo para que ela não pereça. Com isso mantemos o Rock vivo, não fisicamente, mas espiritualmente. E isto já é o bastante para termos nosso querido gênero musical como algo vivente que passará por gerações, mesmo que sem sua forma original. Assim, a morte do Rock é apenas uma questão de opinião e interpretação, pois se ele foi marcante o bastante para ser lembrado em vida até hoje, ele não está morto. E enquanto houver alguém com um áudio fodido de uma banda que usava guitarra, bateria, baixo e voz estranha que tocava na década de 70 ou algo assim, a memória do Rock não perecerá, nem seu filho Metal morrerão, não importa a realidade que estivermos. O Rock nunca vai morrer.

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Hoje, 11 do 11 de 11 o Black Sabbath anunciou que vai voltar a ativa com obras inéditas. Um milagre aconteceu, uma banda morta ressuscitou. Como dito antes, a morte é só um detalhe. Um detalhe no meio de um ciclo. They live, they die, then they born again, eternally.

03/11/2011

Le tirinha

Sabe quando você está doente, desanimado, cansado, com rosto amassado, olheiras, sem disposição pra nada e ainda assim tem uma vontade de postar algo na Bíblia? ... só este autor passa por isso. Então contentem-se com isso por enquanto.

Tinha que colocar o 2pac? Tsc tsc tsc...