05/12/2011

Decadência

O Rock surgiu há quanto tempo, pessoal? Quando ele fora reverenciado no Festival de Woodstock? Quando foi popularizado pela Invasão Britânica? Quando o dançarino, instrumentista, cantor, ator, modelo e pedreiro Elvis calçava seus sapatos de camurça azul? Ou antes, quando um bando de pretos tocava em bailinhos nos anos 50? (os haters já podem me acusar de racismo, ueba!) O Rock tem muitos pais e filhos, com cada subgênero aparecendo em sua determinada época, e terminando para dar lugar à próxima "moda". O Rock acabava, das cinzas renascia e se reinventava, vivendo para nós novamente e morrendo novamente, num ciclo infinito de construção/destruição. Respeitando a premissa do filósofo grego Anaxágoras, o Rock não foi criado, foi transformado desde o começo.

Entretanto, muitas pessoas não entendem ou nem sequer pensaram nesse conceito de construção e destruição que o Rock passou (e passa até hoje), se limitando a pensar que um movimento, banda ou qualquer coisa relacionada a isso, ou morre, ou nasce, sem ter essa ideia de continuidade.

Este autor já pode ter falado muitas vezes que o Rock morreu fisicamente, mas está vivo em espírito, e ele não modifica sua ideia. Ele só acrescenta (ou explicita uma ideia mal-explicada outrora) uma coisa: que o Rock se transformou no cenário que temos hoje, carregado de blasfêmias, deturpações, avarias e atrocidades (você sabe, Emocore, Alternativo, Industrial, Metalcore...). Com isso o amante do Rock/Metal tradicional não terá pra onde correr e fugir, e sua única escolha será continuar refugiado nas bandas e movimentos que surgiram nas quatro décadas de puro Rock - desde a década de 50 até 90, fazendo uma estimativa geral. Em outros termos, um amante do Rock puro viverá ouvindo velharias ou bandas que imitem velharias pra sempre. Isso pode parecer um tanto triste, mas qualquer pessoa pode simplesmente abrir a mente e os ouvidos para novos horizontes e deixar de ouvir sempre as mesmas coisas. Por que não? É só ter um pouco de boa vontade e coragem.

Pois bem, essas duas virtudes estão um tanto faltosas entre os fãs dos seus gêneros queridos. Quando este autor fez o artigo "Fenômenos musicais: fãs/posers" ele não se limitou a falar de fãs de música Pop, mas apontou qualquer tipo de fã. Todo fã é uma praga por ser fanático e extremista em suas ideias. Mas a característica que impera nos fanáticos do Rock/Metal é a contradição (que nem a foto ao lado).

E num belo dia, um maldito fã percebeu que o Rock e Metal não estavam sendo propagados pelas TVs e rádios, ganhando prêmios ou ficando no topo das paradas de música. Com isso ele concluiu que o Rock/Metal morreram ou estão em decadência, sem pensar por um instante que não é porque a Mídia deixa de mostrar um estilo musical que ele está necessariamente morto. Mas essa ideia foi sendo passada pra frente e as pessoas acabaram acreditando nessa mentira, seguindo a frase de Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista de Hitler: "Uma mentira contada mil vezes torna-se verdade". De repente os fãs passaram a desprezar tudo que tivesse cheiro de velho: bandas velhas, bandas novas que seguiam fórmulas das bandas velhas, até álbuns novos de bandas velhas.

E pra fugir dessa velharia, surgiu o conceito de que as bandas devem inovar e arriscar coisas novas, apostando em experimentações, novas sonoridades e influências, tanto para variar quanto para mudarem a fórmula que as consagrou, pois já está batida, gasta, morta e enterrada há muuuuito tempo, mais especificamente desde o momento que o headbanger teve essa ideia de inovação.

Passou-se a desprezar desde um disco novo de uma banda que há anos não lançava nada, a uma banda que nasceu com uma proposta de misturar influências antigas e incorporá-las em suas sonoridade. Vamos dar 3 exemplos disso:



Airbourne, banda de Hard Rock nova que é como uma irmã gêmea do AC/DC. Os chatos criticam a banda por ela não ser mais do que uma banda de Hard Rock, igual às outras, desconsiderando seu espírito contagiante e empolgante.



UnSun, uma banda também nova de Symphonic Metal, ligeiramente desconhecida, mas com potencial, que segundo os haters, repete as conhecidas fórmulas e padrões redundantes do Metal Sinfônico.



O mais recente caso é com Megadeth, que retomou seu estilo consagrado há anos, mas que para os haters, não sai de seu terreno conservador, não ousa, não tem novidade, não tem nada de especial que valha a pena uma audição.




Estes são só alguns dos vários exemplos que fazem os haters reclamarem. Talvez seja um tanto difícil pra eles entenderem o quanto eles estão sendo exigentes ao querer que o Rock/Metal inove, pois se ele inovar, ou continuará com sua forma original apesar das influências novas, ou não será mais Rock nem Metal, mas um desses arremedos de Rock que tocam por aí arrebanhando um monte de hereges e mal-encaminhados. Então não seria bom que as bandas continuassem a ser espontâneas, naturais, sem firulas, enfeites, influências diferentes, exageros, tudo isso para continuar fazendo o que fazem de melhor? Rock puro e simples, pra que pedir mais? Isso só mostra que, quem reclama de uma banda ser simplesmente ela mesma, já está deveras enjoado, incomodado e irritado com tudo que ouve.

Mas o que esse headbanger frustrado faz, além de reclamar das bandas que não inovam? Ele reclama das bandas que inovam também! Acredita?




Reclama do Iron Maiden que adotou uma sonoridade Progressiva com o passar do tempo, mesmo que não tenha perdido a qualidade de sempre;



Reclama do Angra que também inovou adicionando técnica e melodia ao seu Power Metal, representado por uma voz essencialmente grave que NÃO É A DE ANDRE MATOS;




Reclama do Nightwish que simplesmente e tão somente NÃO TEM MAIS A TARJA TURUNEN NA BANDA!





É incrível como uma pessoa reclame de duas coisas opostas ao mesmo tempo, bandas que inovam e que não inovam! Afinal, o que ela quer?

A. Quer que uma banda repita sua fórmula pra sempre?
B. Quer que uma banda inove?
C. Quer apenas reclamar?
Resposta correta: C: ela só quer reclamar.

Que porra aconteceu com essa geração antiga (ou que se diz antiga) que de repente de cansou de Rock puro? Em vez de saudá-lo nesses tempos difíceis em que ele é desprezado, deviam no mínimo respeitar as bandas que não inovam e mantém o Espírito do Rock vivo! É isso ou se render às aberrações de hoje, que são as que dizem que inovam:



Se algo está decadente, certamente não é o Rock ou o Metal (não importam o subgêneros), mas sim a cabeça dos próprios fãs do estilo que são muito indecisos, não sabem se querem velhos ou novos tempos. E este autor não vê um motivo válido que faça o mínimo de sentido para terem essa indecisão. Mas talvez seja o tradicionalismo unido ao cansaço e ao tédio de uma mente que há anos só ouve as mesmas coisas... Ela não passaria por isso se fizesse um favor a si mesmo e abrisse a mente.

Existe tanta banda que "inova" e tantas que são diferentes de Rock e Metal... "Nossa, existe um mundo além disso?" Pior que existe, amigo. E não é feito de Pagode, Funk Carioca, Axé, Sertanejo Universiotário, Nu Metal, nem essas coisas que te fazem ter desejos suicidas. Há sempre uma alternativa, um outro caminho a escolher. Algumas vezes ele não está tão na cara, o que faz a gente pensar que está num beco sem saída. A chave para resolver isso é abrir a mente.

***
E você vai continuar ouvindo essas coisas que não inovam, coisas que são diferentes do que você já está acostumado, ou o que? Então já que você está aqui, aproveite para ouvir esse coiso abaixo, é uma banda que tem a voz diferente do usual. E adeusmetal pra você.