01/08/2015

Tribunal do Rock: Green Day é Punk?

Inaugurando mais um salmo, o # Tribunal do Rock vai por em discussão todo tipo de "polêmica" ou tema difícil de ser resolvido. Ele tratará das pequenas dúvidas ou briguinhas que não conseguem ter uma solução certa, ou que foram interminadas por não haver ninguém pra dar um ponto final nisso. E como este autor que vos fala é ocioso (se não fosse, não teria blog), ele quem vai dar um THE END nessas discussões. Com que autoridade ele faz isso? Bom, a que você julgar adequada!

E nessa edição traremos à tona uma grande dúvida que permeia os incautos e até os que se dizem esclarecidos. O tema de hoje é:

Green Day é ou não é punk?
O réu é o Green Day, uma banda que os advogados dizem ser Punk devido à sua atitude, postura e história; enquanto a promotoria diz que não é devido à sua sonoridade e suposta falsidade em suas ideias. Já as testemunhas são os fãs e até artistas, entre eles Marky Ramone (ex-Ramones) e Johnny Rotten (ex-Sex Pistols), que tem peso em suas opiniões - por serem integrantes de bandas punk clássicas, claro.



"Quando você vê bandas como os Dolls ou os Ramones, o Clash ou os Pistols, não há nenhuma como elas. Elas são o ideal. Green Day é ótimo, Rancid é ótimo, então você tem essas novas bandas punk segurando a onda, o que é bom."

"Nem venham tentar me dizer que o Green Day é punk. Eles não são. Eles são plonk e estão pegando uma onda que não está de acordo com eles. Eu acho que eles são copiadores. Na época dos Pistols, o governo era contra você, a polícia queria te pegar. Então, lá estávamos nós, nos defendendo de tudo aquilo, e me irrita que anos mais tarde um bando de babacas como o Green Day apareçam e esqueçam tudo, e junte isso ao nome deles. Eles não são merecedores disso, e se eles fossem punks de verdade, não iriam parecer em nada com o que se parecem"

Bem, de nada adianta ter opiniões se não temos o mais importante: argumentos. E quando você trata desse assunto a alguém que já tenha opinião formada (seja a favor ou contra a banda), o mais raro de encontrar é justamente os argumentos! A pessoa só se deixa ser convencida se for influenciável demais. Por isso este artigo fará o possível para defender sua tese com argumentos... sim, ele já mostrará seu veredito: o Green Day não é Punk.

É, exatamente. Infelizmente este autor não encontrou um jeito melhor de desenvolver o artigo sem dar o veredito de ante-mão. Por isso ele vai analisar todo o histórico do réu e dar suas conclusões ao decorrer do processo, pra no final o veredito ser totalmente concluído e explicado.

Infelizmente, os seguidores fieis da banda já estão com escudos e espadas afiadas e prontas para atacar, pois eles sofrem de um mal que é extremismo. Curiosamente, se eles leem em qualquer lugar que "Green Day não é Punk", eles entendem como "Green Day não é bom", "Green Day é uma merda", "Você é um merda", "Você tem um péssimo gosto musical", "Você não sabe o que fala", "Você é burro pra cacete" e "Sua mãe é uma puta". A raiva traz muitos males, não é? Então, para tranquilizar os defensores, o Tribunal do Rock trabalha com 3 Conceitos Cruciais:
  1. Não será discutido se o assunto em questão é bom ou não. Afinal, todos sabem que gosto é gosto.
  2. Nenhum julgamento será baseado em ideias pessoais ou interesses próprios.
  3. Não haverá distorção de fatos para prejudicar o veredito final.
Então se você fã de Green Day está disposto a não ler o texto com seriedade e ir direto pra caixa de comentários amaldiçoar a existência deste autor e falar de seu orifício anal, considere-se livre para manchar a fama dos fãs da banda.


Dito tudo isso, este autor vai fazer a análise desse caso e não atender as expectativas dos que se encaixam no versículo 22 do primeiro capítulo de Romanos, tanto defensores quanto haters da banda. Mas que conste nos autos que o veredito já está dado: a banda não faz o estilo Punk Rock.

Pra isso ele considerará duas coisas: 1) Se a banda satisfaz as características do gênero musical e 2) Se ela tem as atitudes de uma simpatizante do Movimento Punk. Pois pra quem não sabe, existem diferenças óbvias entre um movimento contra-cultural e um estilo musical (a começar pelas palavras, significados delas, número de sílabas, etc). Analisemos então a primeira acusação: Green Day não tem sonoridade Punk Rock.

Todos concordam que um divisor de águas na carreira do grupo foi sua queda de popularidade iniciada perto da virada do milênio (entre 1997 e 2002), onde ela renasceu lançando este disco mostrado ao lado, que teve como objetivo estar contra o Sistema, o imperialismo norte-americano e fazer críticas ferrenhas à sociedade. O disco conceitual "American Idiot" lançado em 2003 seguiu todas essas propostas, e o grupo foi muito elogiado por sua atitude. Com isso, todos consideraram esse álbum uma obra Punk Rock, pela sua mensagem impactante e suas letras de protesto. Além disso, ele serviu de exemplo pra muitos dizerem que o Punk Rock não está morto, mas continua pulsando e fazendo barulho.

A promotoria pede que analisem obras de bandas clássicas do Punk Rock e comparem às obras do Green Day. Primeiro os clássicos:


Nestas músicas podemos perceber o espírito de rebeldia à flor da pele, com batidas aceleradas que mantém um ritmo constante, não tendo tempo para tomar fôlego. Também percebemos a ausência de solos de qualquer instrumento, com riffs rápidos, agressivos e sujos, além de um certo padrão na sonoridade dos acordes - que inclusive são poucos, uma das marcas registradas do gênero. Também notamos que o som não tem uma boa produção nem polimento digital, que é outra marca registrada do Punk, que é não tentar ser bonitinho e agradável aos ouvidos fracos. A atitude da banda e sua mensagem é toda mostrada na música impactante, que assusta os desavisados.

Agora vamos comparar o Punk Rock clássico ao Punk executado pelo Dia Verde:


Os advogados dizem que a banda mantém as seguintes tradições: poucos acordes e o ritmo constante e letras de protesto. Mas a promotoria alega que isso não é uma regra na banda, pois existem vários casos em que músicas são mais cadenciadas e melancólicas (como exemplo, as da direita). Essa não é uma característica do Punk Rock, pois ele NUNCA faz músicas melancólicas ou que fujam do seu padrão. Por outro lado, as músicas mais agitadas como "St. Jimmy" não são tão rápidas quanto as músicas do Bloco Punk, fato que qualquer pessoa com bons ouvidos pode constatar. No Punk, todos os instrumentos são tocados juntos, na maior força e agressividade possível, uma marca que também é inexistente no Green Day, onde todos ficam presos ao ritmo mais ou menos ágil e sem a ousadia que machuca os ouvidos.

Outro detalhe atenuante é o som polido e bem produzido executado pela banda, outra característica conflitante com o Punk Rock tradicional. O gênero busca tocar poucos acordes e não ser bem produzido para mostrar que quer ir na contra-mão da Música agradável e assimilável, que é o que a spessoas procuram naturalmente e automaticamente. Tomemos como exemplo o Sex Pistols, que nem sabiam tocar instrumentos quando iniciaram as suas atividades. Esse tipo de atitude respeita o espírito do Punk Rock, que não exige que você saiba de teoria musical pra executar sua obra. O objetivo é fazer barulho, chocar, mexer, não atender às expectativas das pessoas comuns, fugir do normal, não tentar ser "bom" e não se importar nem um pouco com isso. Já o Green Day agrada todo tipo de pessoa, e ainda toca seus acordes limpos com clareza e sem agressividade, apenas com agilidade e nunca exagerada. Em matéria de rebeldia e rapidez, ela fica um pé atrás das bandas de Punk Rock clássicas.

Visto que a diferença sonora é visível no Green Day que apresenta um som polido e bem-produzido, assimilável e sem exaltações ou exageros, a banda não atende aos requisitos do Punk Rock e não captura sua essência em todo. Quase chega lá, mas não é suficiente pra ser considerado Punk.

Os advogados protestam:

Os advogados sempre apelam pra esse argumento: antes era melhor, antigamente era Punk de verdade, hoje em dia se perdeu, se vendeu e blá blá blás equivalentes. Esse argumento existe porque antes da banda cair no ostracismo em 1997, ela lançava álbuns que seguiam sempre um padrão na sonoridade, sendo este seu "normal". O "American Idiot" é considerado pelos "vanguardeiros" como uma mudança na proposta sonora da banda, e que antes ela realmente executava Punk.

A promotoria começa seu argumento perguntando: quantos fãs de Green Day realmente gostam da antiga fase da banda? Por que os "old-school" só aparecem quando alguém constata com razão que a banda não é tão "punk" atualmente? Sabemos que a maior parcela de fãs da banda são os fãs da fase pós-"American Idiot", enquanto a outra minoria (fãs da banda há mais tempo) tem como seu favorito o "Dookie", lançado em 1993. Outros como "Insomniac", "Nimrod" e os outros dois anteriores servem apenas para confirmar que a banda executava Punk de verdade, segundo os fãs. Pois bem, vamos ver a banda em sua fase old-school:


Admitamos: a banda está mais ágil e enérgica por conta dos riffs um tanto mais arrastados e uma presença maior da bateria. O instrumental é bem executado, não é melodioso como atualmente, porém ainda não tem a energia costumeira do Punk Rock, a agressividade e a atitude. Chega quase lá em certos momentos, mas os acordes, a sonoridade e certos andamentos ainda não fazem o estilo. Parte considerável disso vem da voz de Billie Joe, que não é nada agressiva, arrastada ou gritada, totalmente anti-punk. Isso que é o Punk Rock do Green Day?

Este autor diz o que é isso: Pop Punk. Pop Punk (também chamado de Punk Californiano) é um subgênero do Punk Rock que é marcado pelas mesmas técnicas usadas no Punk (poucos acordes, músicas curtas, agilidade e força), mas com uma sonoridade mais agradável e assimilável pelas pessoas, que não machuca de verdade. Aqui se perdem os riffs arrastados, batidas sujas da bateria e o timbre do vocalista que não é agressivo e muito menos rasgado. A diferença é essa: perda da rebeldia. Enquanto você não consegue ouvir Exploited nas primeiras audições e precisa se acostumar ao som, o Green Day passa como um assobio. Você nem tem estranhamento ao ouvir algo como "When I Come Around", e essa não é a proposta do Punk Rock de verdade. Mas é essa a proposta do POP Punk, um estilo para pessoas frágeis e que não tem agressividade interior suficiente pra ouvir algo tão nocivo e repulsivo quanto GG Allin ou Garotos Podres, preferindo coisas agradáveis e limpinhas como Offspring e NOFX.

Assim está provado que o Green Day nunca foi Punk de verdade, mas sempre foi uma banda que tentou, tentou e não conseguiu captar o real espírito desse gênero. O que vocês tem a dizer sobre isso?


Que covardões! Fugindo do assunto! Tsc tsc tsc. Os advogados podem alegar que o Green Day faz seu próprio estilo de Punk Rock, colocando novos elementos e fugindo dos padrões e blá blá blá... INDEFERIDO. Porque se você colocar uma cama em cima de outra cama, ela se chamará beliche, não continuará se chamando "cama". Ou seja, se você coloca um elemento diferente em algo, você terá por obrigação que chamar essa coisa com um outro nome. Pra entender mais sobre nomeação de estilos, leia este artigo: Catequizando: Gêneros musicais.

Agora passemos para a próxima acusação: Green Day não tem postura de um ativista do Movimento Punk. Será mesmo? Por que nós vemos esta nova fase da banda e ela se mostra sempre engajada em política e até em meio ambiente, e suas letras sempre são profundas...


Os advogados dizem que os seus últimos álbuns conceituais e sua postura pacifista e ideais são marcas de alguém engajado e idealista, por isso um representante do Movimento Punk.

Os promotores discordam por várias razões. Primeiramente eles consideram que o Movimento Punk é derivado do seu estilo musical, e por isso as pessoas e bandas devem obrigatoriamente gostar do estilo e simpatizar com ele pra fazerem parte desse Movimento.

Esse tipo de condição é necessária para separar bem as coisas e deixá-las bem determinadas. Pois veja: uma pessoa pode ser anarquista e não gostar de Punk Rock. Nesse caso, por que ela seria considerada parte do Movimento Punk se não gosta desse estilo musical? A pessoa pode defender as mesmas ideias do Movimento Punk: anarquismo, igualdade social, defesa das minorias discriminadas, ausência de Estado, e tudo mais. Mas, se ela não gosta de Punk Rock, ela não deve ser considerada parte desse Movimento. Ela só vai ser chamada de esquerdista, não punk.

No caso das bandas, elas também podem ter esses mesmos ideais esquerdistas e gostar de um punkzinho de vez em quando, MAS devem tocar esse estilo musical pra se dizerem parte do Movimento. Pois se não haver esse tipo de condição, bandas como Linkin Park, Rage Against The MachinePearl Jam, U2, Sting, Coldplay, System of a Down e outras simpatizantes de ideais humanistas seriam consideradas Punk automaticamente.

Resumindo, fazer letras de protesto e ser simpatizante de movimentos humanistas e esquerdistas não é suficiente para se denominar um representante do Movimento Punk. Por isso não podemos considerar o Green Day um integrante do Movimento, pois já foi provado anteriormente que ele não executa o gênero musical.


Calma banda, vocês são politizados, só não podem se considerar parte de algo que não são. Um "achismo" não pode superar os fatos.

O juiz está quase batendo o martelo para dar essa discussão encerrada, mas a promotoria tem questões que quer deixar em registro. Ela quer questionar o quanto a banda realmente acredita no que diz, ou se toda a sua atitude é apenas pose ou não.

A promotoria considera muuuuito estranho que uma banda que se diz tão séria e cabeça tenha um apelo tão grande pela imagem. Pois todos sabem que ela gosta de cabelos bem-tratados e roupas vistosas - inclusive o estilo de roupa social e gravata sem terno, que foi um estilo estético lançado por ela que fez muito sucesso entre os fãs e a moda em geral. E Billie Joe também não dispensa um lápis de olho...

Advogados: Protesto! O que uma banda tem na imagem não altera seu conteúdo!

Promotores: Mas achamos no mínimo inadequado que uma banda se diga tão revolucionária e engajada goste tanto de aparecer em revistas femininas, pôsters, fazendo caras e bocas e nunca tenha dito abertamente em nenhum veículo de comunicação que é de esquerda ou defende um ideal libertário, ou mesmo o anarquismo ou socialismo; só diz que quer um mundo melhor e todo tipo de clichê que já estamos cansados de ouvir! Nenhuma banda punk na história teve essa atitude tão passiva! Acreditamos que tudo isso é pose, uma estratégia de marketing, pois todo mundo adora alguém que se diga revolucionário! Tudo pela imagem!


Advogados: Protesto! A banda faz isso pra se divulgar (de um jeito duvidoso, é verdade), mas no fundo faz tudo isso aproveitando da Mídia pra espalhar suas ideias! Porque é muito mais fácil espalhar suas ideias e dizer o que pensa com gente disposta a mostrar isso! O Green Day só aproveita essas oportunidades!

Promotores: Além da banda adorar vender sua imagem e pose de revolucionários, seus fãs fazem a mesma coisa: posam de rebeldes e não fazem nada na vida real! A maioria nunca ouviu falar de esquerdismo e nem consegue discutir política ou sociedade, só consegue vomitar senso-comum! Só gostam de posar com suas camisas do Green Day na rede social que for e dizer palavras de ordem genéricas que não saem disso: palavras! Cadê os atos?! E o que a banda fala sobre isso?


Advogados: Eles não precisam provar nada pra ninguém! Dane-se quem não acredita na causa deles! Eles estão fazendo seu trabalho e nós apoiamos e também lutamos por um mundo melhor como eles!

Promotores: Então provem como vocês fazem isso!

A discussão está encerrada. Com base nas evidências sonoras e intrínsecas apresentadas, a análise das provas prova uma conclusão: a banda Green Day não é Punk em sua sonoridade nem em atitude, devido ao primeiro fator. Não foram consideradas as qualidades e defeitos da banda em sua sonoridade, mas a promotoria se excedeu ao questionar suas atitudes.

Promotores resmungando entre dentes: E os fãs ainda dizem que gostam de Punk sem conhecer nem Bad Brains ou Ratos de Porão! Preferem Paramore! É dose...

A promotoria ganhou. O acusado é culpado de mentir pro seu povo e plantar na sua mente um conceito errado - que nesta Bíblia nasceu desde o post "O legado Punk" e se alastrou até uma das suas últimas postagens no Facebook. Este autor espera que agora os fundamentos do Rock e Punk estejam bem determinados e explicados, e não deturpados como sempre é. E se você não gostou do veredito, você pode clicar aqui e injetar a alegria necessária para esta postagem e pra todo esse site.

O próximo post dessa série não será tão herege, para nossa alegria. Adeusmetal \m/

31/07/2015

Negativismo

Alguém que está lendo este artigo, já conheceu uma pessoa que reclama de tudo, ou que sempre vê o lado negativo das coisas? Acho que sim. Essa pessoa sempre reclama da política, da rua, do sistema educacional, do trânsito, da economia, do Sistema, do Kinderovo que era mais barato, de tudo. Essa pessoa parece não pensar em nada, senão no lado ruim das coisas. Então, o que será que essa pessoa ouve de música?

Negativismo é um espírito que está sempre presente nas pessoas, com casos mais sérios em algumas em especial. O espírito do negativismo faz a pessoa criticar tudo desenfreadamente e sempre achar um lado ruim pra tudo, até do que é bom. E a melhor (ou pior) parte é que o negativista tem resposta pra tudo. Por exemplo:

- Se o Sarney sair do senado, o negativista fala: "Não adianta nada o Sarney sair do senado. Ele é só um político que foi mais queimado que os outros, com certeza tem gente que faz igual a ele. Ainda vão aparecer muitos Sarneys."

- Se o Brasil vai sediar a copa de 2014, o negativista fala: "O Brasil se prepara todo para receber um bando de estrangeiros, gasta dinheiro com segurança, melhora o visual da cidade, tal, aí quando a copa vai embora, tudo continua a mesma merda."

- Se vai ter show de um artista, o negativista diz: "Os ingressos são tão caros! Isto é culpa das pessoas que tem carteirinha falsa, o espaço que financia o show tem que fazer o preço de uma entrada inteira para não ficarem no prejuízo, enquanto os que já são adultos pagam o dobro do normal!"

- Mas se tem show de graça na praia de Copacabana, vem mais uma reflexão: "Ao vivo? Na praia? Não há lugar pior! Lugar sujo, cheio de gente mal-educada, muvuca, não dá pra aguentar!"

Algumas vezes o negativista tem um espírito de sarcasmo, o que o torna mais irritante ainda. Um exemplo só:

- Vamos no cinema?
- Ah, é ótimo ir numa sala escura onde te matam se você falar um pio, mas mesmo assim vc é obrigado a ouvir barulho de pipoca sendo mastigada! Por que não ir?

Geralmente o negativista não tem muitos amigos. Dá pra entender o porquê.

O espirito negativo também é muito presente no Rock N' Roll, por causa do Rock poser modinha de hoje em dia, como Cine, Hevo 84, Gloria, e uma nova bandinha chamada Hori - formada pelo filho emo do Fábio Jr. Fiuk, que inclusive é protagonista da Malhação, a novela que nunca muda o roteiro. Os headbangers são negativos com relação a tudo atualmente, pois nada é mais como antes. Antigamente havia Sexo, Drogas e Rock n' Roll. Com o tempo tiraram as drogas do Rock, e o Jonas Brothers acabaram com o sexo. E com isso, acabou o Rock N' Roll.

Mas o headbanger às vezes é tão negativista que não gosta de nada que não seja desconhecido por todos, ou que não tenha surgido antes dos dinossauros viajarem pra outra galáxia. Ele é o típico metaller que não gosta de Metal. Frase estranha? Não, é a pura verdade. Talvez você já tenha encontrado um. Esse metaller pode ter uma conversa muito desagradável com você:

Você: Oi cara! Então, cê viu o show do Muse no VMA?
O outro: Muse? Banda popzinha alternativa? Odeio. Você gosta?
- Não... só pensei que vc gostava de uma coisa leve. Mas então, sabe o novo CD do Áirôm?
- Ah, nem ouço mais Iron Maiden. Os caras só querem saber de ganhar dinheiro agora. E também ficou pop demais agora. Enjoei.
- Sei.. e o AC/DC? Sabe o novo CD "Black Ice"?...
- Ah... AC/DC é um Hard Rock fraquinho. É outro que só quer ganhar dinheiro.
- .......... E a turnê do Sepultura com o Angra? Quê que você acha?
- Porra, Sepultura tá uma merda! E o Angra? O Edu não canta nada!
- É... o Angra era melhor com o André Matos.
- Pior! O André parece uma mulherzinha cantando. Coisa de maluco!
- Ah... sei. *agora você pensou em falar no Metallica, mas ficou com medo de levar um fora outra vez, então continuou* Já vi que você gosta de coisas mais extremas... Então, você viu a nova formação do Gorgoroth?
- Gorgoroth? Um bando de posers! Os idiotas tentam meter medo com uma maquiagem cheirosa! É uma merda!
- Caralho! Você só rebate tudo o que eu falo!! Então do que você gosta?!!
- Ah, Rock e Metal em geral!

Mas dá muita raiva desse cara!... Os headbangers que não gostam de Metal às vezes se forçam a não gostar de tal banda por julgá-la mainstream demais. Eles passam por uma auto-lavagem cerebral olhando para o círculo abaixo (que seria melhor se ele girasse) e dizem:



... Metallica é vendido...
... Megadeth também...
.... Anthrax é uma merda....
... Manowar é um Dragon Ball do Metal, só mostra músculos.......
....... Ramones não tá com nada...
..... Nirvana é emo....
... Queen é banda pra gay...
.... The Doors é fraco, idiota e ruim...
... Slayer é muito mainstream.....
.... DragonForce só serve pra tocar em videogame......
..... HammerFall é tão ruim que devia cair um martelo na cabeça da banda.....
...... Slipknot é uma banda Nu Metal de merda...
... Sonata Arctica é só uma banda de metal gaylódico....
.... Cradle of Filth é poser! Todo ele!......
... Nightwish é uma merda sinfônica... e a cantora nova tem cara de caveira......
.... Black Sabbath é muito fraco.... e o Ozzy é um retardado....
.... Skid Row nunca foi bom.....
... Iron Maiden é pop.....
... Massacration é uma piada......
.... Bon Jovi é brega!.......
..... Pantera é gay!...
...... Raphsody of Fire é uma viadagem com armadura de robocop gay....
... Beatles é pop....
...... Eu toco mais bateria que o cara do Def Leppard....
... Immortal é tão ruim quanto os clipes deles......
... Kamelot é trilha sonora de Harry Potter.......
..... E o Blind Guardian deviam ter nascido na Idade Média, não nesse século!....
... KISS é um caça-níqueis ambulante.....
...... Led Zeppelin é superestimado.......
... Jimi Hendrix é só um cara que quebrava guitarra...
.... U2 é pop!....
... Dimmu Borgir é poser......
... O AC/DC tem um vocalista com uma voz rouca-aguda de bicha...
....... O Twisted Sister ainda não se assumiram gays......
.......... E Poison nem se fala....
... Tristania é triste como emo....
.... Aerosmith nunca foi bom....
..... O quê que é o Cream?...

Qualquer banda que já tenha uma camisa com estampa, ou que alguém por aí já tenha falado, o headbanger anti-Metal não gosta. Ou gosta, mas secretamente. Ele nunca vai falar que Mayhem é bom, pois já é mainstream. Geralmente esses bangers odeiam Power Metal com todo o ódio que tiver. Por acaso ele vai gostar de uns caras que fazem chapinha e cantam sobre dragões, castelos, gnomos, elfos e ilhas mágicas? Para o headbangers anti-Metal, Power Metal só serve pra se ouvir enquanto se está jogando Magic, ou algum outro RPG escroto.

Este tipo de headbanger não deve ser levado como um exemplo a ser seguido. Viva sua vida escutando o que você quiser, sem medo do que as pessoas vão achar. Mas tem uma coisa, se você ouve The Darkness.... o que você tem na cabeça? Você acredita numa coisa chamada amor e o quê mais? Grita igual a bicha da praia da vinheta do Pânico na TV? (AHiê!)

***
Concluindo, é bom ter um lado negativo ou crítico, para saber distinguir o que é bom do que é ruim. Mas não é bom exagerar, pois tudo pode ter seu possível lado negativo. Até ser mainstream não é totalmente negativo, pois nenhuma banda deseja DE VERDADE ser desconhecida pra toda a vida. Você acha MESMO que uma banda, mesmo as mais extremistas, queiram ter um público pequeno e ser reconhecida apenas pela família e os amigos próximos?

Isso significa: coitada da banda Wednesday 13! Ninguém nunca ouviu falar dessa banda de Horror Punk. Vamos dar uma moral pros caras terminando esse artigo com uma imagem deles.


- Quarta-feira 13? Isso é emo!

16/07/2015

Músicas que me dão alegria instantânea


Era pra esse post ser um simples status de Facebook, mas acabou se tornando complexo e desenvolvido demais, então vai ficar aqui mesmo. Este autor que vos fala vai mostrar um ranking das 10 músicas hereges que lhe fazem feliz instantaneamente. Mas isso é algo mais do que ouvir tais músicas e simplesmente gostar, é ouvir tais música e se sentir feliz no ato! Só precisa tocar a primeira nota pra abrir um sorrisão e palpitar o coração. E poucas músicas conseguem isso.

Então, se quiser, deixe esse seu "orgulho rockeiro" de lado para saber que músicas hereges fazem este autor ficar alegre como uma criança comendo sucrilhos sortidos coloridos.

29/05/2015

Teste sua visão mundana

Isto é um post de férias (este autor tirando férias de vocês), por isso não reparem se essa imagem for julgada como mal-feita ou corrida ou perfeita pra se compartilhar em tumblrs e facebooks. Mas ela até tem sua mensagem.


O preconceito não é algo tão ruim quanto o Senso comum fala, é apenas um conceito pré-estabelecido que uma pessoa tem ao lidar com certo tipo de coisa. Preconceito não é sinônimo de aversão ou desprezo. O objetivo do teste foi exatamente alertar as pessoas sobre essa questão: qualquer pessoa pode gostar de Rock, sem precisar seguir padrões comportamentais. O visual que o indivíduo tem é apenas um detalhe.

OBS: E quem se encaixar no resultado do teste vai dizer que este autor é hipócrita, ou qualquer coisa maluca pra desviar a atenção do próprio erro.

14/04/2015

The True History Of: Massacration

Hoje, ontem, anteontem, e quinta-feira (reprise é foda) aconteceu a maior festa celebrativa da música ruim brasileira: o VMB 2009. Este autor confessa que viu o VMB todo, mesmo sabendo que ele iria premiar artistas emos e indies como Fresno, Nx Zero, Cine, e o indie Móveis Coloniais de Acajú. Aliás, que porra de nome é esse? Parece uma promoção das Casas Bahia!

"APROVEITE AGORA A PROMOÇÃO! MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJÚ POR 99 PARCELAS DE 99 E 99 REAIS MENSAIS SEM JUROS E SEM ENTRADA! SÓ AQUI NAS CASAS BAHIA!"

Este autor que vos fala viu o VMB unicamente por causa de Marcelo Adnet, o leleske carioca no mundo paulista eMoTV, e, lógico, por causa da maior banda de Heavy Metal do mundo, os herdeiros de Deus Metal aqui na Terra, o Massacration. O Massacration inclusive causou o genocídio de emos e indies que morreram depois do show no estilo Iron Maiden com a roupagem de Glam Metal. Marcos Mion ficou com tanto medo do Massacration que vai até mudar de emissora.

Então, se você acha que o Massacration é uma banda de mentira montada da eMoTV, você não sabe de 1/800 da história do Massacration. Esta é a história verdadeira:

Data de criação: 1982
País de origem: Brasil
Estilo: The True Heavy Metal
Influências: Massacration não teve influências, ELES foram influência


Origens
Massacration foi uma banda formada na década de 80 por Detonator e Blondie Hammet, que chamou os amigos Jimmy "The Hammer" e Headmaster para integrarem a banda. Estes dois participavam da banda MMUS, que significava Metal Make Us Strong (Metal nos faz ficar fortões!) que tinha acabado de acabar. Um tempo depois, para completar a banda com o baixo, fizeram um anúncio na revista Rock Brigade escrito "Procura-se um baixista". Então acharam Metal Avenger e completaram a banda.

A banda fez muito sucesso no circuito underground, sendo influência pra bandas como Iron Maiden, Manowar, Judas Priest, muito tempo depois Torture Squad, além de outras que não alcançam tanto sucesso como Massacration. Infelizmente, mesmo com 77 discos lançados, o Massacration não é reconhecido pelo mercado e nem tem uma biografia verdadeira na Wikipedia. Isso se deve pelo fato de bandas menores mais acessíveis ficarem com espaço maior na mídia. Mas o desconhecimento do mundo pelo Massacration se deve principalmente pela banda que teve que fazer uma turnê interplanetária, devido ao seu sucesso estrondoso. O Massacration tocou no planeta dos aneis, no planeta vermelho, no planeta com nome de remédio, inclusive em Marduk, o décimo-segundo planeta. De onde você acha que a banda Marduk veio?

Como os integrantes já estavam muito velhos para continuar suas atividades, o próprio Deus Metal permitiu que a alma deles reencarnasse em um grupo de cinco brasileiros humoristas de um certo canal de TV, o Hermes e Renato. Com o encosto no corpo, o grupo de humoristas reviveu a gloriosa banda que um dia tinha virado o mundo de cabeça pra baixo e pra cima, e pra baixo, e pra cima, como se ficasse batendo a cabeça.

Hoje, todo o mundo conhece o Massacration, mas mesmo com a fama, a banda só fez 2 discos, totalizando 79 na sua carreira: o "Gates Of Metal Fried Chicken Of Death" e o "Good Blood Headbangers", sendo o último produzido por Roy Z.


Massacration facts

  • O Massacration influenciou o Iron Maiden. Então, se muita coisa existe por causa do Áirôn, o Áirôn deve sua existência ao Massacration. HAIL!
  • O vocalista Detonator é um castrati, um adepto da técnica onde se corta o saco dos homens antes da puberdade para terem a voz fina pra sempre, pelos hormônios do saco estarem em falta. Mas Detonator acabou cortando o pau. Mas isso lhe rendeu uma voz mais potente que a de Joelma do Calypso.
  • Massacration é a única banda que tem um disco plutônio-triplo-radioativo, por causa das vendas monstruosas de seus CDs.
  • Um bando de músicas do Massacration são plagiadas por artistas que se acham fodões. Uma delas é "Kill With Power", roubada pelo Manowar. Eles colocaram uns solinhos gays e mudaram a música toda.
  • Não se sabe muito da história de Massacration, porque muita coisa foi perdida pelo tempo. Alguns dizem que Massacration é como o filósofo grego Sócrates, que não existe registro histórico de que eles tenham existido de verdade. As gravadoras em que o Massacration gravou seus CDs faliram, não existia site oficial (lógico), e as informações colhidas sobre o Massacration foram faladas pelos integrantes e fãs velhos que têm os CDs deles.
  • Foi o Massacration quem criou o rótulo Thrash Metal. Na verdade o Slayer quis mostrar seu som ao Massacration para conseguir uma orientação. Detonator não gostou nada do som do Slayer e caracterizou como Trash Metal, dizendo que a banda era um lixo. O Slayer entendeu como Thrash Metal com "h", no sentido de fodão. Então ficou Thrash Metal até hoje.

Mundo real
Depois que o Massacration encarnou nos corpos do grupo Hermes e Renato, a banda se tornou um Metal Palhaço, brincando com os todos os trejeitos que caracterizam o estilo que tocam. São como os Mamonas Assassinas do Metal. O pior é que a banda veio da eMpTyV, o canal da alienação musical brasileira, onde se aprende que ForFun é Rock e que Mallu Magalhães é a promessa da música nacional.

Mesmo saindo da eMoTiVo e de um programa de humor, o Massacration faz a alegria dos headbangers que finalmente acharam uma coisa decente pra rir.


Discografia (não contando os 77 CDs)
2005:
Gates of Metal Fried Chicken Of Death
2009: Good Blood Headbanguers


Integrantes
Detonator - vocal
Blondie Hammet - guitarra solo
Headmaster - guitarra rítmica
Metal Avenger - baixo
Jimmy "The Hammer" - bateria


O que o Massacration representa
O que acontece por parte de muitos headbangers é um olhar desconfiado com o Massacration, pois é uma banda que brinca com todos os trejeitos do Metal, e mesmo assim tem fãs, divulgação monstruosa e DOIS CDs oficiais. Alguns pensam que a banda de mentira quer ser uma banda de verdade. E que se não for isso, eles estão simplismente invadind um mercado onde tem gente que faz música séria, o que não é a essência do Massacration. Pense nisso: o Krisiun tá na ativa desde um tempão, e quem leva a fama é o Massacration. Desse jeito, enquanto um monte de bandas underground querem seu lugar ao Sol, vem uma banda de mentira e fica com toda o prestígio. Isso não é uma injustiça?

Por outro lado, o Massacration iniciou muita gente no mundo do Metal, e ainda provou que headbangers SIM, sabem rir. Um bando de gente normalzinha acha que headbangers são uma horda satânica mal-humorada e revoltada. Mentira! É claro que headbanger tem alegria! Se bem que tem black metallers que não gostam de sorrir, mas já é outra história. E o melhor é que, saindo da MTV, o Massacration iniciou muitos adolescentezinhos ao mundo do Metal, além de ser a luz do canal alienador infestado de vinhetas com mensagens subliminares. Alguns garotinhos ouvindo Massacration pesquisaram outras bandas, e agora ouvem Venom e Saxon! Se esqueceram totalmente da MTV! Esqueceram do Green Day e do Good Charlotte!

O ruim é que nem todos que assistem a MTV são assim, curiosos para conhecer novos sons. Os adolescentezinhos que formam a audiência do canal viam apenas Massacration como Heavy Metal, e gostavam apenas de Massacration. Alguns MTViciados foram ao festival Brasil Metal Union (um tempão atrás) onde foram Sepultura e algumas bandas internacionais. O MTViciados só gostaram de Massacration! Tudo bem que a intenção do Hermes e Renato não era esse tipo de fã fútil e alienado ao show, mas isso é inevitável quando os fãs deles são formados por headbangers true não extremistas e a audiência imbecil e influenciável da eMoTV.

O maior problema é que muita gente leva o Massacration a sério demais. O próprio Massacration diz nos encartes dos CDs que são uma banda de mentira. Se bem que é meio difícil lembrar isto quando se tem DOIS discos oficiais... Mas tirando as críticas e fatos ruins que rodeiam a banda, o Massacration é foda. Tem o som de Heavy Metal de dar inveja a muitos grunges, punks, nu metaleiros e indies. Mas não leve-os tão a sério.

O Massacration é como a Bíblia do Rock: exalta o Rock, mas tirando uma com ele.

12/04/2015

A Síndrome da Era de Ouro

O que você vai ver agora é uma mostra do que foi falado no artigo "O além". É uma notícia que busca "mandar a real", mesmo que essa "real" não seja correspondente à realidade.

fonte: PlayDelNacho

Vamos Admitir Sem Hipocrisia: não há banda nova que preste
Por Scott Rowley da Classic Rock Magazine



O LED ZEPPELIN voltou. Os STONES tocam na O2 Arena. A formação original do STATU QUO [aka ‘The Frantic Four’] sairá em turnê ano que vem. A lojas de discos estão repleta de álbuns novo do KISS e do AEROSMITH [bem, ela estariam, caso ainda existissem]. Algumas semanas atrás, JEFF LYNNE tinha DOIS álbuns no TOP 10.

Se isso tivesse ocorrido poucas semanas atrás, teríamos chamado o mês de ‘Rocktubro’, e insistido que todo mundo deixasse o cabelo crescer para fazer um mullet para se preparar para ‘Movembro’. Mas ó rolou agora, coincidindo convenientemente com o [evento de premiação da revista inglesa] Classic Rock Roll of Honour, na mesma época do ano quando sempre se faz a mesma série de perguntas:

1] Não seria o caso dessas bandas antigas se aposentarem todas e deixarem que as novas se destaquem?

2] Todas essas reuniões – é só pela grana, não é?

3] Você pode me apresentar para Jimmy Page?

A resposta para todas essas perguntas é ‘não’. Bem, à exceção da 2], pra qual a resposta é CLARO QUE É PELA PORRA DA GRANA!

Considere a seguinte análise: ninguém mais ganha dinheiro com a venda de música gravada. As bandas que estavam acostumadas com a chegada de um belo e polpudo cheque de royalties todo ano de repente viram ser substituído por um cheque do Spotify e do YouTube, de cerca de uns 150 reais. Isso não paga nem pela conta do serviço de quarto delas, muito menos para manter as filhas no [shopping de ponta de estoque] Jimmy Choos ou pela manutenção de uma casa na Costa Rica. “Mas elas já não são ricas o suficiente?”, eu ouço você gritar. Pelos padrões comuns, sim. Mas é igual pra todo mundo: quando sua despesa é maior que sua renda, você fica com medo. Austeridade? A maioria dos astros do rock acha que isso é nome de algum grupo holandês de prog.

Enquanto isso, sair em turnê nunca foi tão lucrativo e o apetite para ver bandas ao vivo nunca foi tão grande. Há mais festivais competindo pelos mesmos artistas e isso empurra os cachês para cima. Estórias sobre bandas que cinco anos atrás estava pedindo 750 mil reais para tocar num festival e agora pedem 2 milhões abundam. Há boatos de que quando o AC/DC tocou no Download Festival alguns anos atrás, eles receberam 9 milhões de reais. Dizem que os Rolling Stones estão fazendo 52 milhões de reais por quatro shows. 13 milhões por show. Isso é o que recebem por uma noite de trabalho.

Então será que as bandas antigas deveriam sair do caminho e deixar que as bandas novas entrassem? Hm, não. As bandas mais jovens deveriam estar chutando as mais velhas pra fora da estrada, fazendo com que elas parecessem irrelevantes, superando-as no palco e nas composições. O rock n’ roll é uma meritocracia. Nós reclamamos de Paul McCartney fechar as Olimpíadas com mais uma execução de ‘Hey Jude’, mas quem tem músicas melhores para entrar no posto? Qual banda nova tem um desses hinos instantaneamente reconhecíveis, inegáveis e capazes de unir um país dos quais todo mundo sabe a letra? Com certeza não é o caso de Dizzy Rascal, Frank Turner ou o Arctic Monkeys, com certeza.

Para colocar isso de outro modo, ninguém sugere que deixemos de ler livros antigos ou assistir filmes de outrora. Escreveram-se muitos livros desde os dias de Jane Austen, Charles Dickens e Ernest Hemingway, sem falar em Jack Kerouac, Norman Mailer e Sylvia Plath – e por acaso sugerimos que esses clássicos sejam considerados obsoletos com a chegada da mais nova trupe de escritores da moda? Por acaso ‘Butch Cassidy & The Sundance Kid’ virou uma bosta com o lançamento de ‘Os Vingadores’? Por que Billy Connolly não faz as pessoas pararem de rir? Annie Leibovitz deveria dar um tempo com aquelas fotografias? E o que rola com Frank Gehry e todas aquelas porras de edifícios? DEIXA PROS OUTROS TAMBÉM, FRANK! [Desculpa. Exaltei-me um pouco. Mas você entende do que eu falo.]

Há uma tendência a se patronizar bandas novas: “Ah, os pobrezinhos não conseguem uma chance hoje em dia”. A revista-irmã da Classic Rock, a Prog, fez sua primeira premiação no verão passado e eu estava sentado com o MARILLION, uma banda detestada quando o tema é ser ‘cool’, mas que na verdade foi pioneira do modelo ‘custeado pelos fãs’, quando os apreciadores da banda pagam adiantado por um disco [como no caso do Pledge Music/Kickstarter].

“Obviamente o Marillion foi inovador”, eu disse para o vocalista da banda, STEVE HOGARTH, “Mas ajudou o fato de vocês já terem um público que pudesse viabilizar isso. O que as bandas novas e jovens podem fazer?”

“Eu te digo o que elas podem fazer”, disse Steve. “Elas podem ser brilhantes.”

No começo desse ano eu fui convocado pela ‘polícia indie’ da estação Radio 5 para falar sobre os artistas do Festival de Wight [TOM PETTY, BRUCE SPRINGSTEEN e os iniciantes do PEARL JAM]. Eu expliquei que, ao contrário do que algumas pessoas acreditam, somos grandes apoiadores de músicas novas na Classic Rock Magazine. Mas, se eu tivesse que ser honesto, nenhuma das bandas novas que exaltamos recentemente compôs músicas no naipe de ‘Whole Lotta Love’ ou ‘The Boys Are Back In Town’. Eu não ouvi uma nova ‘Walk This Way’, ‘We Will Rock You’ ou ‘Jumping Jack Flash’, muito menos uma ‘London Calling’, uma ‘Going Underground’ ou uma ‘Sex And Drugs And Rock N’ Roll’. Nem um cheiro de ‘Smells Like Teen Spirit’ ou sinal de uma ‘Motorcycle Emptiness’.

É verdade que os tempos mudaram – em nosso mundo de vários canais, rádio DAB, YouTube, Spotify e Soundcloud, sem os [programas da TV inglesa] Top of the Pops ou uma parada Top 40 sobre a quais tenhamos noção – é mais difícil de alcançar o mesmo tipo de massa crítica que propulsionou aquelas músicas ao status de clássico… só faltam ‘AS’ músicas.

O novo editor musical da NME me pediu para elaborar sobre isso. Para ele, ‘AS’ músicas existem. Por exemplo, ele comentou sobre uma banda nova chamada Milk Maid cujas canções são isso e aquilo.

O DJ foi gentil e tocou algo deles para nós.

Foi ISSO que ouvimos:



Não digo mais nada.


É melhor não dizer mesmo. O que essa matéria daiz basicamente é que tem muito pessoal que diz que "as bandas antigas já eram, viva as bandas novas", mas ao mesmo tempo exaltam bandas sem brilho ou sem carisma como Arctic Monkeys. No mais, essa matéria vem de uma pessoa que passa pela Síndrome da Era de Ouro.

A Síndrome da Era de Ouro é um grave distúrbio psicológico que a pessoa sofre, onde ela se convence de vários pensamentos:
  • Não que a pessoa viva de passado... mas antigamente era muito melhor que hoje. Os bons e velhos tempos são insuperáveis.
  • Atualmente não há nada que preste. Tudo que é bom ficou no passado.
  • Se houver alguma coisa que preste hoje em dia, é porque imita o passado. Afinal, nada que é novo presta.
Para os velhos dinossauros do Rock mente-fechada, existem apenas 3 tipos de bandas hoje em dia:
  • Bandas de CORE: Emocore, Metalcore e Deathcore. Todas uma porcaria.
  • Bandas indie alternativoides como esta que a matéria mostrou, mostrando o tipo de sonoridade que os críticos super inteligentes a-do-ram exaltar o tempo todo.
  • Bandas pop, que nem é preciso comentar (elas mancham o cenário do Rock, estas bastardas filhas de uma Lilith AAAAAAAAAAAAAAAHHH)
Os que passam pela Síndrome da Era de Ouro também cultuam bandas das décadas de 60-80 (sendo que a partir da década de 80 a Música morreu) e também costumam postar como eles odeiam as bandas novas em comentários aleatórios na internet, sempre dizendo que elas nunca terão o brilho das bandas fodásticas de antigamente.

E um parêntese: essa Síndrome pode ser confundida com a mentalidade e atitude que os rockeiros tem ao desprezar todo que seja novo no Rock. Afinal, Emocore, Nu Metal, Industrial, Indie, Alternativo, Metalcore, Deathcore, tudo isso faz parte da nova safra do Rock. Mas isso é um engano, por uma simples razão: os rockeiros reconhecem que existem bandas boas atualmente. O ponto crucial da Síndrome de Ouro é achar que só o que tinha antigamente que era bom. Já o rockeiro mente-aberta sabe que existem bandas boas atualmente.

E como fica a atitude dele de não gostar nada que seja atual? É simples: ele não considera Rock nem Metal de verdade os estilos que usam esse rótulos, e eles serem novos são apenas uma coincidência. Dando exemplos, até o Folk Metal (que é um estilo relativamente novo) tem suas características do Metal tradicional, mas o Metalcore já não tem - já tem origem origem no estilo alternativo do Emocore. Mas o rockeiro e headbanger pode muito bem dar valor às cenas que realmente fazem Metal e que são novas - são tão novas que este autor nem vai citar, pode haver certa discordância. Uma delas (pra aperitivo) é um tal de Modern Metal.

Agora pra provar como a Síndrome da Era de Ouro está errada, este autor vai listar alguns sites que acompanham e mostram bandas novas ou não famosas que são ignoradas pelos intelectualoides de plantão.

E como você deve saber sobre esses sites, quando você acha um, brotam mais 10. Então é material novo pra conhecer, apreciar, louvar e não reclamar. E pra terminar esse artigo, aqui vai uma banda que, como diz a matéria, não tem capacidade pra brilhar como as antigas e nem de trazer clássicos.

11/04/2015

Grandes bandas, grandes negócios

Você já deve ter ouvido falar que certas bandas e artistas estão na ativa apenas pelo dinheiro, fazendo discos apenas pra vender e explorar os fãs adestrados. É difícil definir com certeza quais são eles sem ter um embasamento ou princípio, mas é possível determiná-las a partir de certas condições:
  • Se a banda passa a impressão de querer "aparecer" demais;
  • Se a banda passa a impressão de querer criar polêmica;
  • Se a fama da banda algumas vezes ultrapassa suas obras (música)
Todos concordam que essas condições fazem ela inspirar dúvidas quanto as suas atitudes e atos. Mas quando ela pode fazer tais coisas?


Coisas que ajudam você a pensar que a banda está "vendida"

01. Se ela for consagrada demais
Essa é a primeira condição. Toda banda com longos anos de estrada, fama, sucesso e dinheiro pode ser alvo de julgamento de estar na ativa só pelos prazeres materiais e ego inflado. Dizem que o sucesso faz isso com as cabeças mais fracas, e é verdade. Se bem que algumas bandas tem artistas com ego ganancioso suficiente pra se aproveitar da fama pra ganhar grana.

02. Se a ela investe em marketing pesado
Investir em marketing pesado é espalhar a imagem, atividades e existência dela em tudo que é lugar, fazendo propaganda massiva e algumas vezes com intuito de lucro direto ou indireto. E isso é feito quando a banda faz propaganda impressa de seus shows em flyers e cartazes ou anúncios virtuais com imagens promocionais ou banners espalhados em sites; produz videoclipes com certa frequência; dá entrevistas na TV, rádio, programas ou revistas; aparece em eventos que não são musicais necessariamente como programas de TV ou eventos beneficentes... e além de tudo isso, levar a marca da banda a produtos ou objetos em geral. Tudo vale pra deixá-la mais conhecida - e assim julgá-la de mainstream e vendida.


03. Se ela ou seus integrantes estão envolvidos em estórias, picuinhas ou controvérsias
Essas coisas fazem ela e seus artistas serem conhecidos não por sua vida profissional, mas pessoal. o que dá a impressão que ela quer "aparecer". Quando o grupo declara certa coisa sobre algo/alguém, se um integrante faz tal coisa em algum lugar que gerou fofoca, se existem brigas internas ou intrigas, até se existem fotos da infância dos integrantes. Se tudo isso virar notícia e todo mundo ficar sabendo, vai chamar a atenção pra eles e possivelmente ficar com má fama.

04. Se tudo que ela faz gera repercussão
Se ela faz qualquer coisa, por menor que seja, e gera comentários, discussão e opiniões, é sinal que ela é conhecida e importante o bastante pra criar fofoquinha, e pode confirmar que ela quer apenas aparecer. Mas isso leva fama à banda, gera certas expectativas entre os fãs ou destroi outras, cria conceitos sobre ela e tudo mais.

A partir dessas premissas, já podemos considerar algumas bandas como negócios:


Negócios lucrativos que você adora ouvir

Banda: KISS
Gênero: Hard Rock
Porque é um negócio: O KISS nunca escondeu sua gana por fama e dinheiro. Desde o começo ele vendia sua própria imagem com suas máscaras, roupas e pose, e até aproveitavam das suas máscaras pra fazer mistério sobre suas identidades, coisa que chamava atenção para o grupo. Ele também tem cerca de 3000 produtos licenciados a venda, desde bonequinhos até camisinhas, de chinelos de dedo até caixões. Além da banda poder fazer seu próprio canal de televendas, o KISS também tem uma fama mítica. Seus shows que contam com o Catman atirando de bazuca, Demon sangrando pela boca e escorrendo na sua língua de Orochimaru e Starchild tocando guitarra e dando uns rolê em cima do público pendurado por cabos são parte da sua performance cheia de pose, a começar pela famosa frase de apresentação: "You wanted the best, you got the best! The hottest band in the world, KISS!". Os fãs veem isto como atitudes confiantes e corajosas de uma banda que não tem receio de ser adorada e idolatrada, e se por acaso eles mudarem de atitude, vão deixar de gostar do KISS.

Aliás, isso já aconteceu várias vezes! Na fase The Elder, onde a banda apostou em performances e visuais mais discretos pra rebater a opinião pública que eram músicos de verdade, marcando uma fase experimental, além da fase Lick It Up onde a eles tiraram as máscaras e perderam respeito com o público por dois motivos: eles se descaracterizaram e perderam sua maior marca, e eles eram feios demais. Além disso, trocas de integrantes, problemas pessoais e fofocas foram uma constante na carreira do grupo.

Banda: Guns N' Roses
Estilo: Hard Rock
Porque é um negócio: Como toda banda de Hard Rock dos anos 80, o Guns também investia na sua própria imagem e atitude pra fazer propaganda, mas o Guns era especial: o talento de Axl em ter uma voz única e não desafinar enquanto corria de um lado pro outro no palco enquanto o guitarrista cabeludo de cartola fazia solos cheios de feeling deram destaque maior a essa banda. A nível de popularidade, Axl e Slash disputavam fama com sua beleza e estilo, respectivamente, e o Guns N' Roses era adorado por muitos. A banda começou a dar impressão de ser um negócio quando Axl mandava e desmandava no grupo guiado por seu ego, o que causava desconforto nos demais integrantes e parecia que eles só se mantinham unidos pelo bem maior, que era a banda viva. Um problema aqui e outro ali levaram os integrantes a serem demitidos ou se demitirem por Axl, sobrando apenas ele na banda e com uma dívida: o álbum "Chinese Democracy".

Axl ficou enrolando o mundo inteiro dizendo que o Guns ainda estava vivo enquanto chamava músicos no improviso e não lançava nenhuma música ou obra nova (se lançava, era em intervalos de no mínimo um ano). Somente depois de mais de uma década o "Chinese Democracy" foi lançado em 2008, com um Guns totalmente repaginado, onde Axl mostrou seu SlipKnot particular - a banda atual tem 7 integrantes contando com seu líder. Pois bem, depois de tanto tempo seria bom enterrar o nome Guns N' Roses para não associá-lo com o Frankenstein que é a banda de hoje, não é? NÃO, pois Guns N' Roses tem mais força do que qualquer outro projeto que Axl fizer. o nome da banda deve ser carregado para o bem da fama do senhor ególatra e dos gunners, a base de fãs acéfala que defendem a banda atual de qualquer engraçadinho que tente desmoralizá-la (inclusive este blog).

Banda: Iron Maiden
Estilo: Heavy Metal
Porque é um negócio: Não há um ser vivo que não conheça o Iron Maiden, coisa que se deve ao forte trabalho de marketing que a banda tem. A cara do Eddie é conhecida por todo o mundo e ele é o morto-vivo mais amado que 748956160910913091836 zumbis que apareçam em quaisquer jogos de videogame, filmes ou figurantes do The Walking Dead juntos. Além disso você pode perceber que a banda preenche todos os pré-requisitos anteriormente citados: a banda é consagrada demais, investe em marketing pesado, seus integrantes estão envolvidos em fofoquinhas (a mais famosa delas é de Bruce Dickinson sendo ator de uma novela da Globo) e TUDO, absolutamente TUDO que a banda faz gera repercussão. Os fãs dividem a banda em fases, discutem sobre qual disco é melhor e porque, e discutem até qual visual do Eddie é mais legal.

Uma das maiores provas que o Iron parece um negócio foi com a saída de Bruce Dickinson da banda em 1993, pra apostar numa carreira solo (que só emplacou a música "Tears of The Dragon"). E para substituir Bruce, a banda arranjou um concurso pra saber quem seria o novo Ídolo do Brasil, digo, o novo vocalista da dama de ferro. Até os brasileiros Edu Falaschi e Andre Matos foram cogitados, mas a verdade é que foi a gravadora quem lançou esse concurso, e ainda desnecessariamente, pois o vocalista substituto já tinha sido escolhido. Ele era Blaze Bayley, um cara que até ontem era um zé ninguém, mas conseguiu ser a voz da banda. O resultado foi que Blaze simplesmente "não era o Bruce" e os fãs não odiaram os discos "The X Factor" e "Virtual XI", que contam com sua participação. Com esse desprezo, o Iron chutou Blaze Bayley do grupo, e este até entendeu, pois sua presença não fazia mais o Iron lucrar como antes. A base de fãs da banda também é bem intransigente e não aceita nenhuma mudança na banda  - até hoje eles não engolem a veia Progressiva que o Iron desenvolveu ao longo dos anos.

Banda: Metallica
Estilo: Thrash Metal
Porque é um negócio: Tudo ia bem pra banda mais famosa do Metal, seu discos eram bem recebidos e sua garra era notada por todo fã de Thrash, mesmo que a sua sonoridade não fosse tão pesada quanto de outras bandas menos conhecidas como Exodus ou Testament. O Metallica foi quem criou os "escalões" das bandas de Thrash Metal, que eram divididas por sua fama. No primeiro escalão tinha o Big Four of American Thrash Metal: Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax. No segundo escalão, as bandas menos conhecidas, como Destruction, Sodom, Kreator e Tankard - esta formação inclusive chamada de The Big Four of German Thrash Metal, além das bandas já ditas e outras.

A banda começou a parecer um negócio quando lançou o "... And Justice for All", que se afastou da sonoridade típica da banda. Depois lançou o "Black Album" que ficou deveras "comercial". Depois disso foram os "Load" e "Reload", que traziam o Metallica fazendo experimentos. Finalmente veio o "St. Anger", que deu todos os motivos pros fãs acharem que banda se vendeu. Além da banda se promover com a própria imagem (com James Hetfield de cabelo cortado! Que blasfêmia!), a sonoridade da banda foi mudando com o passar do tempo, indicando uma tendência que o Metallica havia se tornado um lixo pra ser vendido. Isso foi até o lançamento do "Death Magnetic", que dividiu opiniões e todos concordaram num ponto: o Metallica é uma banda marketeira que só faz sucesso se tocar os seus hits, não as músicas dos seus discos desvirtuados.

Banda: Angra
Estilo: Power Metal/Progressivo
Porque é um negócio: A banda não dava a certeza que era um negócio até um certo integrante ser mais famoso que o resto do Angra inteiro: Andre Matos. A sua voz de ninfa da floresta e seu charme de uma gueixa fogosa eram o chamariz principal pra banda. Só que isso não era um problema até ela ter conflitos internos com seu empresário e resultar na saída de 3 integrantes, entre eles, Andre. Esses três integrantes formaram a banda Shaaman, e todos focaram nela já que a musa japonesa estava nela. Enquanto isso o Angra tentou remendar os seus restos e chamou novos músicos e um novo vocalista, Edu Falaschi, que não tinha o mesmo timbre de Andre. Todos encarnaram nele simplesmente porque "ele não era o Andre, era um feioso qualquer". Até aí, sem nada de estranho, não é?

Quase. Ao longo do tempo a popularidade e prestígio da banda foram caindo com seu desvirtuamento da sonoridade original, além dos integrantes fazerem carreira solo de vez em quando - Bittencourt Project, Freakeys, Kiko Loureiro, Almah - e passarem a impressão que não se aguentam quando estão trabalhando juntos, mais especificamente no próprio Angra. Existem muitos conflitos de ideias e todos também tem egos difíceis de ser controlados. Além disso o fantasma da falta de Andre atormenta o grupo até hoje, e aí sim a sua popularidade se torna um problema: dizem as más línguas que sem ele, o Angra não passa de uma banda vazia que está na ativa apenas pela obrigação de carregar o nome poderoso do Angra. Isso pode ser um pensamento exagerado, mas pode ser confirmado pelos fatos que vão comprovando o fim da banda: a mudança na sonoridade, as fofocas, a saída de Edu Falaschi... tudo isso gera suspense e audiência para qual será o novo capítulo da banda.

Banda: Nightwish
Estilo: Metal Sinfônico
Porque é um negócio: A banda que foi uma das precursoras do estilo Metal Bela e a Fera se tornou um negócio quando lançou o disco "Once" em 2004. Ele foi um sucesso comercial que trouxe músicas com o intuito claro de ser assimilada pelo grande público mainstream, a ponto de seus clipes "Wish I Had An Angel" e "Nemo" serem transmitidos pela MTV. Essa transição de uma banda lendária do Metal Sinfônico para uma banda mainstream metida a gótica (que virou modinha temporária) era por causa do empresário e marido da vocalista Tarja Turunen, uma vocalista que também era mais famosa que a banda inteira junta. É dito que Tarja andava mais afastada do grupo e até queria ganhar mais dinheiro que os outros, e por tudo isso ela foi demitida da empresa, digo, da banda. Foi lançado o DVD "End of An Era" que mostrava a última turnê da banda até então, e no dia seguinte, Tarja Turunen foi demitida via website oficial da banda, com uma carta assinada pelos demais integrantes. Que jeito estranho de resolver conflitos!

Pra continuar a tocar a empresa pra frente, o Nightwish realizou testes pra arranjar uma nova vocalista. Arranjou uma depois de muito tempo, Anette Olzon, que não tinha voz lírica como Tarja e por isso fora odiada pelos fãs. Essa história é parecidíssima com outras, né? Pois bem, o disco com sua participação "Dark Passion Play" dividiu opiniões entre os fãs e depois de um tempo o álbum "Imaginaerum" foi lançado pra calar a boca de todo mundo que dizia que a banda não tinha mais jeito. E tudo estava perfeito, ATÉ QUE Anette estava doente e foi substituída num show sem ser consultada. Ela ficou indignada e mostrou seu descontentamento na internet, e logo veio a resposta da empresa: "Anette, você está demitida. Reclamou, vazou". Hoje a banda tem outra vocalista (Floor Jansen, com longo tempo de estrada) pra acabar sua turnê. Não se sabe se ela vai ser integrante oficial depois disso.


Impressões
O que percebemos em todas essas "biografias" é que as bandas nunca tem uma trajetória estável. Sempre estão fazendo troca troca de integrantes, vendendo sua imagem e gerando fofocas sobre seu futuro. E é isso que mais traz a impressão da banda ser apenas um negócio: com tanta instabilidade, os integrantes se sentem na obrigação de trabalhar e carregar o nome da sua banda pra frente, independente da sua própria felicidade e convívio com os outros.

Este artigo o tempo todo trabalhou com fatos, e a partir deles gerou suposições e premissas. É claro que nenhuma banda vai admitir que está na pista apenas pra negócio, vai rolar aquela demagogia básica de "nós vamos ficar unidos pra tocar música de qualidade como vocês querem" e blá blá blá. Mas a instabilidade que as bandas mostram que é o ponto chave pra qualquer um começar a desconfiar sobre o quanto ela está a vontade ao continuar na ativa.

Também podemos observar certos fenômenos acerca dessas bandas: elas sempre estão sendo destaque em algum site ou revista de Metal por não estarem fazendo mais que sua obrigação (fazendo show ou dando entrevista), ter uma base de fãs grande, fanática e acéfala (que cai com o perfil descrito no artigo "Fenômenos musicais: fãs / posers), e até uma base de anti-fãs! Esses são os fãs que acompanham tudo que a banda faz, mas em vez de pagar pau pra ela, desce o pau nela! Você pode ver em qualquer comentário de notícias sobre o Sepultura, vai ter um cara falando que a banda já morreu e não vale a pena esperar nada dela. Se fosse verdade, por que ele estaria comentando? No fundo ele quer ver a banda ser menos vendida e deixar de ser instável como todo bom fã assumido e fanático.

A conclusão que tiramos disso tudo é que é tudo culpa da fama, sucesso e instabilidade que as nossas bandas queridas passam que nos amedronta. E nós somos tão medrosos que temos medo de escutar uma música e descobrir que ela não foi tocada com a mesma emoção que sentimos ao ouvi-la. Aquela música do Angra é tão linda, mas será que os músicos estavam inspirados quando estavam tocando-a, ou só gravaram pra continuar a "marca Angra"?

Seja qual for a intenção das bandas ao fazerem suas músicas, este autor dá um conselho: não se envolvam demais com gente que vocês não conhecem. Pois quando uma banda acabar ou simplesmente mudar de integrante mais popular, vocês ficarão tristes, depressivos, haverá choro e ranger de dentes, mas não perceberão que estão tristes por pessoas que nem te conhecem. O sentimento que você tem por uma banda ou artista nunca é recíproco, é apenas pessoal e ilusório, uma ilusão que conforta.

Então não se apeguem tanto às coisas, isso vai te livrar de muitos descontentamentos ou decepções. Ou como diria aquelas famosas frases de internet: "Cansei de chorar por quem não me dá valor =( ". Aaaahh... Enfim, você fica com uma banda que também é tachada de "negócio". Adeusmetal.

Teoria da relatividade

É muito comum entre pessoas mais cultas (ou pretensiosas) a crença que a música de massa (ou música popular, que está destinada ao povo, que está no segmento mainstream, etc) é uma arte produzida com baixa qualidade, cheia de clichês e fórmulas, e sem complexidade nenhuma para que ela atinja o máximo de pessoas possível e agrade o gosto comum de todas elas. Feito isso, o povo vai gostar das músicas, dos seus artistas correspondentes e vão consumir todas as suas obras fonográficas, enriquecendo as gravadoras e grandes corporações. Nesse pensamento, passa-se a considerar a música de massa como um tipo de negócio mercenário com o único intuito de lucrar, combinando com o objetivo do sistema capitalista.

O que há de errado nesse pensamento? Bom, nada. O Sistema age dessa forma com as obras fonográficas mesmo. Mas, pra sobreviver nesse sistema, todos precisam se vender, não é? Tanto as bandas underground quanto as mainstream precisam de dinheiro pra sobreviver, pois nenhum ser humano consegue fazer fotossíntese pra viver, e os sistemas político-econômicos alternativos não são viáveis. Pelo menos por enquanto.

Mas os cultos rebatem esse argumento dizendo que, não é porque a banda ou artista precisam comer do pão de cada dia que eles vão necessariamente fazer obras de baixa qualidade, "ou se vender", como eles gostam de dizer, usando esse termo como sinônimo pra: se tornar ruim, se perder, se afastar das raízes, etc.

Perguntamos de novo: o que há de errado nesse pensamento? Até agora nada, de novo. É verdade que nenhuma banda precisa mudar seu estilo pra uma mais acessível, por isso que muitas bandas são bem sucedidas sendo independentes, underground e tem uma legião de fãs fiel, mesmo que a maioria das pessoas não a conheça. Por exemplo o Matanza, ele não precisa aparecer na Globo pra ser uma banda bem-sucedida.

Então chegamos ao final desse pensamento: já que as bandas e artistas adotam uma sonoridade mais acessível por todos e facilmente assimilável, conclui-se que nenhuma delas se esforça o bastante para fazer obras boas e dignas de serem ouvidas, estando na condição de meras peças industriais e sem valor intelectual, pois nem passar mensagem, elas passam, só servem pra entreter as pessoas menos cultas. É óbvio que existe uma grande e nítida diferença entre Black Country Communion e Michel Teló, perfeitos exemplos de música boa e ruim.




Agora sim, o que há de errado na conclusão desse pensamento? O que está errado é a principal conclusão dela: se uma música é comercial, não passa uma mensagem relevante, não é bem trabalhada ou complexa, bem produzida nem é ao menos underground, essa música é, por consequência, ruim.

O que há de errado nisso? Ué, você não vê? Não se pode determinar que uma música é ruim só porque ela não preenche tais requisitos citados acima, assim como não é possível determinar como música boa uma que preenche esses quesitos. Por que não??? Porque existe um velho ditado que diz "Gosto não se discute".

E é exatamente isso que a Teoria da Relatividade fala (não a do Einstein, a dessa Bíblia mesmo): Tudo é relativo. O que você gosta pode não ser o gosto do outro. Se criaturas curtem Black Country Communion, outras curtem Michel Teló. Tem gosto pra tudo, uai! E qual dos dois é melhor? Caramba leitor, nenhum é melhor que outro! Não existe esse negócio de melhor e pior, existem apenas preferências pessoais! E é essa relatividade que este autor vai provar, contestando os vários argumentos que os rockeiros pretensiosos usam pra desmerecer e desrespeitar artistas populares como Michel e outros hereges.

E pra começar, é bom começar pelo argumento destes artistas serem comerciáveis, "se venderem", etc. Pois bem, o fato inegável é que o sistema capitalista exige que todas as pessoas se vendam, então ninguém está livre de ser chamado de prostituto! Pensemos: o que uma prostituta faz? Fica na calçada da rua esperando ser comprada, assim como você vai no açougue comprar meio quilo de frango. De onde veio esse cadáver de frango? De uma fábrica que mata frangos e tem trabalhadores que fazem esse trabalho. Esses trabalhadores são pagos pelo seus devidos serviços, os tornando meros "vendidos". No sistema capitalista, trabalhar é igual a se prostituir, ou, se vender. Acusar uma banda de ser vendida é não olhar pra si mesmo e perceber que é uma prostituta! Por isso esse argumento do "comerciável" e "se vender" abrange TOOOODO MUNDO, então não é válido. Leia o artigo O que é 'se vender' pra entender melhor esse conceito.

Que tal analisarmos um argumento melhor formulado? O mais conhecido é que a música popular tem cantores que não falam nada de importante ou relevante, e ainda alienam o público e os deixa cego para as coisas que acontecem no mundo, pois não tem um papel conscientizador. Diferente do Rock, que sempre bateu de frente com a Sociedade com seus temas que causam raiva, desprezo, inquietação, medo, indignação na Sociedade, a música popular sempre foi um mero entretenimento, sem valor verdadeiro.

Esse argumento até poderia ser válido, mas o fato é que todas as músicas tem o único papel de entreter o ouvinte. Afinal, ela é uma arte, e assim como a dança, pintura, arquitetura, poesia e tantas outras artes, ela tem o objetivo de expressar alguma coisa, um sentimento, uma ideia, uma visão particular do autor da obra sobre algo, etc. E no fundo, essas artes só tem valor completo para o autor, pois os seus receptores vão apenas tratá-las como entretenimento. E mesmo quando elas tem o dito "papel conscientizador", não vão impulsionar ninguém a mudar o mundo. Com a música é a mesma coisa: ela pode abordar temas mais sérios e pertinentes como política, sociedade, ter assuntos antropológicos que mexem no consciente e trazem reflexão, mas isso é opcional, não uma regra. Por isso que curtir músicas engajadas é apenas uma preferência pessoal, nada mais que isso.

Entretanto, há quem diga também que os temas da música popular são muito banais e batidos, porque é sempre "amor", "amor não-correspondido", "não consigo viver sem você", "estou triste por não ter você", "hoje a balada vai ser boa", etc. Mas que tal questionar a validade das letras de Rock? Ele é um estilo hedonista que busca o prazer sem limites e nem se importa com amanhã, temas que não contribuem para o crescimento pessoal de ninguém. E o Metal também não fica pra trás: fala de histórias fantasiosas ou resolve se meter a falar de anti-cristianismo, morte, histórias de terror, blá blá blá. Isso lá é edificante? Traz crescimento pessoal? Aaaah, mas você gosta né! Olha a relatividade agindo de novo. O que é bom pra você pode não ser pros outros, e vice-versa.

Um fato que devemos observar também é que qualquer gênero pode ter temas "conscientizadores", isso não é privilégio do Rock. Bob Marley se engajava muito em política com suas obras de protesto; o Rap fala constantemente da vida das pessoas marginalizadas; as bandas mais alternativas buscam temas reflexivos e antropológicos... até a Pitty se engajava nesses temas antes de virar uma garotinha fútil!


Enquanto isso, o AC/DC fala sobre diversão ou Rock and Roll, e é uma banda adorada até hoje que não acrescenta em nada pra uma sociedade melhor e mais evoluída. Inclusive o eu-lírico da música acima fala de uma mulher que mexe com a cabeça dele, o que não diferencia muito de "Ai, Se Eu Te Pego". Só a linguagem é diferente, porque nos dois casos o homem está flertando com a mulher. E depois, vai ser o gosto pessoal de cada indivíduo que vai predominar no julgamento de qual música é melhor. Você está começando a entender ou assimilar esse pensamento de relatividade, leitor?

Continuando o assunto, talvez você pense: essa música do AC/DC é melhor que a de Michel, porque é mais trabalhada, mais complexa, tem uma boa composição e a habilidade dos artistas enriquece a obra. Aqui entramos no outro argumento, que é o da complexidade.

Costuma-se afirmar que uma música bem produzida, bem trabalhada, complexa, técnica e que explora várias experimentações é que é boa, e que as músicas ruins são as que não cumprem esses paradigmas. MAS, uma música possuir técnica não vale de nada se ela não tem feeling. Pra quem não sabe, feeling é o sentimento, emoção, mensagem ou clima inserido na obra, que faz o ouvinte se contagiar, se emocionar ou se admirar. E o feeling pode existir independente da técnica imprimida na música. Tanto que muitas podem não ser nada complexas e serem muito prestigiadas...


... enquanto outras podem ser virtuosas, complexas, técnicas, mostrar um show de teoria musical, mas não terem feeling nenhum.


Por isso o feeling é essencial, o mínimo necessário que uma música precisa pra ser agradável. Com certeza só os "fãs de técnica" gostam dessa obra do Yngwie Malmsteen! E quantas amam de "Hey Jude" dos Beatles? Ih, muitas, de perder a conta. Isso prova que gostar de técnica é só uma das milhares de preferências que alguém pode ter, não uma desculpa pra desmerecer as outras músicas que não são complexas.

E apesar disso ser um fato consumado, os "cultos" dizem que esse papo de feeling é só uma desculpa pra desmerecer as músicas complexas, pois quem não gosta delas, não tem capacidade bastante pra lidar, registrar, distinguir, entender, assimilar e apreciar a enxurrada de informações contidas numa musiquinha. Traduzindo: os "cultos" chamam todos que não gostam do que eles gostam de ignorantes! Existe demonstração de preconceito e intolerância mais perfeita que essa? Isso é muito lindo!

Pense só, leitor: é mais agradável ouvir uma obra em que você precise forçar a mente pra entender cada acorde tocado e ainda se manter em atenção constante, ou uma obra que você sente a pegada logo de início e nem precisa se preocupar com surpresas adiante? Até o pessoal que gosta de complexidade já calejou bastante seus ouvidos pra apreciar "Another Brick On The Wall" como uma música de entretenimento ou mera "música de fundo" enquanto faz alguma coisa qualquer. Os pretensiosos arrogantes associam "gostar de música facilmente assimilável" com "ser ignorante", ao invés de "preferência por comodidade"... ou pura preguiça.

Mas qual a razão de tanta arrogância, intolerância e preconceito? A razão é que lá no fundo, todos os fãs de música que se comportam desse jeito são egoístas, e adotam uma mentalidade elitista. Uma pessoa é elitista quando se julga uma das únicas capacitadas, merecedoras e dignas de ter acesso às coisas, bem como as únicas capazes de apreciá-las. Desse jeito elas se sentem fazendo parte de uma elite, privilegiadas por ter algo que quase ninguém tem. Quase, pois alguns poucos seres humanos também podem ser capazes de compartilhar os mesmos gostos, se forem dignas disso. Só não podem ser muitos, porque aí perde a graça! A graça de ser elitista é o prestígio e auto-estima que se sente ao ser um dos únicos a usufruir algo.

Assim os elitistas da música se sentem especiais e abençoados por ouvir coisas que quase ninguém ouve - ou que ninguém é interessado em conhecer - pois não são como a ralé que não tem cultura de verdade, cultura de elite, cultura de gente decente e de bem que está um nível acima. É como um rico que come caviar e acha que é muito bom, mesmo que esse troço tenha cheiro de buceta mal lavada, sabe?

Ah, este autor não tá dizendo que você não pode gostar de Yngwie Malmsteen sem ser chamado de elitista pedante e preconceituoso, pois você pode ter essa personalidade independente de suas preferências.

E o elitismo também pode vir com um outro sintoma clássico e grave, que é Síndrome de Underground. Ela é a síndrome que te dá atestado de extremista e elitista, pois você começa a se apegar a coisas que não são conhecidas pela maioria, ou até por ninguém. É essa síndrome que dá ao doente o poder de desprezar qualquer coisa pop, mainstream, modinha, e consequentemente, as pessoas que gostam dessas coisas. A mente do doente fica totalmente envenenada por essa síndrome, e ela acredita piamente que gostos definem o ser humano, como se ele fosse inteligente por gostar de MPB, ou retardado por gostar de Mamonas Assassinas. Isso se chama preconceito.

Entenderam porque os rockeiros "cultos" não gostam de pop? Porque acham que são especiais e não devem se misturar com a gentalha. Eles arrumam qualquer desculpa pra continuarem sendo egoístas, preconceituosos, arrogantes, metidos a sabichões, e outros adjetivos pejorativos. Vale tudo pra desmerecer a música popular e defender seu próprio gosto: chamar o povo de ignorante e sem cultura, se dizer culto e sensato, arrumar argumentos tortos que validam a forma errada dele pensar... até dizer que este autor está perdendo o rumo e agora anda traindo o movimento defendendo a música popular! Isso com certeza vai acontecer em breve!

Mas o objetivo desse artigo é mostrar como a Teoria da Relatividade ("Tudo é relativo") está certa, pois ninguém é igual a ninguém. Cada um tem sua própria vida, suas próprias experiências, contexto social, e com isso, preferências pessoais. Então o mínimo que se deve fazer pra tornar o mundo menos ruim com isso é respeitar o próximo. Desrespeitar alguém/um grupo/a sociedade inteira por ela não se encaixar nas suas preferências é ser exigente, egoísta e generalizante, e principalmente desrespeitoso. Discriminar alguém pelo gosto pessoal é uma das maiores mostras de falta de bom-senso que alguém pode expressar. E mais do que isso, é se levar a sério demais.

Ok, esse discurso é muito bonito e politicamente correto, mas este autor vai ouvir Michel Teló porque ele disse tudo isso? Não, pois as obras de Michel não fazem o estilo dele, e ele tampouco vai passar a considerar suas obras como boas um dia. Não seria hipocrisia ele defender uma coisa que ele nem curte? Não, porque é mais que possível respeitar algo que você não gosta. Como é possível? É simples, é só deixar de frescura, e principalmente, passar a considerar tudo como música, não tendo ressentimento desnecessário por nenhum gênero. Você não vai morrer se Michel Teló lançar mais um hit nas rádios. Ele não vai matar sua mãe. Não vai desgraçar sua família. Não vai te amaldiçoar com magia vudu. Não vai colocar o pé na sua frente pra você tropeçar, te fazendo cair no chão de olho num prego, te fazer cambalear de dor e ser atropelado por um caminhão desgovernado e lançar seu lindo corpinho num penhasco onde você vai ser decomposto em pedacinhos quando chegar ao chão depois da altura de 8.765 metros abaixo. Então pra que ter raiva incondicional de um cara que você nem conhece?! Ou de um estilo musical? Ou de algo que não faz diferença na sua vida realmente?

A intolerância é um câncer que se alastra no mundo. O respeito é a sua cura. Basta um pouco de boa vontade pra fazer esse remédio agir na sua mente. Assim você deixa de pensar em coisas como "Gosto não se discute, se lamenta". Lamenta-se quem se acha superior a alguém por gostar de uma coisa diferente. Quem você acha que é?