04/02/2017

Retrô 2011: Extremo

= Este artigo foi publicado originalmente em 07/04/12 =

HAIL! Um hail bem forte para você leitor, pois aqui está a parte mais pesada, extrema e AAAAAAAAAAAHHHH da Retrô 2011. Esta é a parte que vai falar do Metal Extremo que está no inconsciente coletivo como "aquele tipo de Rock pesado feito por uns cabeludos que não tomam banho e agitam a cabeça feito loucos". Essa descrição não deixa de estar certa, mas o Metal Extremo é mais que isso. Inclusive ultimamente, onde ele está buscando influências sonoras externas e incorporando-as, tornando seus sons mais cadenciados e até melódicos, numa estranha união entre o Melódico e Extremo. É a evolução!

Esse maravilhoso fenômeno da evolução é o que você vê agora em pequenas análises deste autor, e uma que sairá em breve feita pela Primeira Dama como bônus, quando ela tiver tempo. Nem todos são vagabundos como este autor.


Retrô 2011: Extremo

Banda: Jag Panzer
Álbum: The Scourge of the Light
Estilo: Heavy Metal, Power Metal

Sobre a banda: Esta é uma banda que tá aqui de penetra! É um Power Metal de raiz que não tem aquela claridade e clima heroico e luminoso do Melódico comum atual, é como se fosse da família do Grave Digger, mas sem linhas de teclado. Bom, por isso essa banda está aqui, pois ela tem seu peso e características que remetem mais a um Metal sujo do que um gloriosamente épico.
Sobre o álbum: A velha força de guitarras é o que dita as regras nesse disco, que também representa um tipo de retorno ao Power Metal old-school sem aquelas sonoridades sinfônicas cinematográficas. Aqui vemos riffs arrastados, uma bateria por vezes agressiva, e até passagens melódicas, mas que são apenas andamentos mais lentos ou prolongados, onde as guitarras mostram seu poder de envolver o ouvinte. Também somos agraciados com uma voz inspirada e potente que está em uma ótima forma. O álbum é bem produzido e variado em termos de composição, pois não tem fórmula definida, e é uma ótima oportunidade de saber como é o Power Metal old-school sem teclados, firulas e que remete mais ao que os “especialistas” chamam de Speed Metal.
Gravadora: Steamhammer Records
Faixas:
01. Condemned to Fight
02. The Setting of the Sun
03. Bringing the End
04. Call to Arms
05. Cycles
06. Overlord
07. Let It Out
08. Union
09. Burn
10. The Book of Kells

Banda: Anvil
Álbum: Juggernaut of Justice
Estilo: Heavy Metal, Power Metal

Sobre a banda: O Anvil é uma banda bem underground que só os headbangers “pesquisadores” conhecem. Pra reverter essa situação, ela lançou em 2008 o documentário Anvil! The Story of Anvil em 2008, que mostrava a face de uma banda injustiçada e com sede de sucesso e reconhecimento. Assim, a banda que teve muito azar em ser apagada por outras mais prestigiadas (Metallica e Iron Maiden por exemplo, realmente não dá pra competir), conseguiu certa divulgação e curiosidade do público para a próxima obra que viria. E esta obra é este disco.
Sobre o álbum: Pode não ser uma volta estrondosamente grandiosa de cair o queixo e se tornar um clássico no futuro, mas talvez... até seja! “Juggernaut of Justice” mostra como a banda executou seu Heavy Metal rápido e ágil ao longo dos seus anos de ostracismo e como ela merece ser mais reconhecida. Muitas músicas nos lembram de bandas que viveram a NWOBHM, e por isso a obra se torna tão digna de louvor. Mesmo que os músicos tenha sido sempre um tanto "razoáveis" e não saírem de uma base específica, essa característica é compensada na criatividade e energia das canções, que são tão bem pensadas e perfeitas, que ninguém pensa em cobrar mais virtuosidade da banda. É a simplicidade unida ao empenho que colocam Anvil num patamar acima. Por fim, esse disco é imperdível.
Gravadora: The End Records
Faixas:
01. Juggernaut of Justice
02. When Hell Breaks Loose
03. New Orleans Voo Doo
04. On Fire
05. Fuken Eh!
06. Turn It Up
07. This Ride
08. Not Afraid
09. Conspiracy
10. Running
11. Paranormal
12. Swing Thing

Banda: Die Apokalyptischen Reiter
Álbum: Moral & Wahnsinn
Estilo: Death, Folk Metal

Sobre a banda: O Die Apocalapoaschim... enfim, é uma banda alemã nascida em 1995 e começou tocando Death e Folk Metal, com uma sonoridade suja e agressiva e com uma identidade que a diferenciava das demais. Hoje a banda não é tão mais pesada e agressiva, mas continua suja e agora, com muito mais variação e riqueza em detalhes sonoros.
Sobre o álbum: Rotulá-lo é bem difícil! Death Metal é um estilo que a banda certamente não toca em seu todo, mas ainda carrega suas palhetadas graves e alternadas ainda são parte de sua identidade, além do peso que também não é uma constante. O álbum está com uma certa claridade, sem muito peso e clima caótico característico do Metal Extremo, e também pode-se encontrar andamentos não convencionais, linhas dedilhadas de guitarra bem envolventes e até assobios na segunda música! E comparando aos outros álbuns, “Moral & Wahnsinn” não é uma novidade, mas vale uma audição por sair do lugar comum do Metal Extremo e trazer muitas experimentações interessantes. Sem rótulos, este disco é Metal pesadinho de boa qualidade.
Gravadora: Nuclear Blast
Faixas:
01. Die Boten
02. Gib dich hin
03. Hammer oder Amboß
04. Dir gehört nichts
05. Dr. Pest
06. Moral & Wahnsinn
07. Erwache
08. Heimkehr
09. Wir reiten
10. Hört auf
11. Ein liebes Lied

Banda: Chrome Division
Álbum: 3rd Round Knockout
Estilo: Thrash Metal

Sobre a banda: Chrome Division é a repartição do navegador Google Chrome um projeto paralelo do guitarrista Shagrath da banda Dimmu Borgir, que toca Black Metal. Quais são as chances de um guitarrista de Black Metal fazer uma banda de Heavy Metal com puras influências do Rock and Roll ser bem sucedida? Pois a banda executa essa proposta com louvor desde 2006, e principalmente com este terceiro disco.
Sobre o álbum: Como todos os seus álbuns, seu jeito "Motörhead" de ser nunca dá errado, e sempre impressiona com a simplicidade e carisma que tornou essa banda-projeto benquista. Comparando aos álbuns anteriores, temos uma obra mais feroz e mais descompromissada, e até melódica por assim dizer, com andamentos mais prolongados e boas doses de peso que não fazem nenhum fã do estilo botar defeito. O disco se mantém bem regular e é tão descompromissado que nem se importou em "inovar" – muito menos em fazer uma capa mais elaborada! Esse buldogue parece até adesivo pra por em moto. Afinal, complicar pra que? Uma boa dose de Rock and Roll pesado é sempre uma ótima pedida.
Gravadora: Nuclear Blast Records
Faixas:
01. Bulldogs Unleashed
02. 7 G-Strings
03. Join the Ride
04. Unholy Roller
05. Zombies and Monsters
06. Fight
07. The Magic Man
08. Long Distance Call Girl
09. Ghost Rider in the Sky (Stan Jones cover)
10. Satisfy My Soul

Banda: Lazarus A.D.
Álbum: Black Rivers Flow
Estilo: Thrash Metal

Sobre a banda: Lazarus A.D. é uma banda de Thrash americana que representa a nova safra de Thrash Metal que vem surgindo (e de Metal de verdade também, pois os EUA já exportam Nu Metal e Metalcore há muito tempo). A banda se caracteriza pelo seu estilo clássico, agressivo e veloz. Como o Mc Donalds, é simplesmente.
Sobre o álbum: Este é o segundo disco da banda. Enquanto no primeiro (“Onslaught”, de 2007) nós ouvimos um som cru e direto da velha escola do Thrash, neste disco nós ouvimos claras influências do Metal extremo e modernoso, como executado pelo Pantera. Isso significa que não temos um álbum melhor ou pior, apenas diferente e com muito potencial. A produção do álbum é mais uma vez executada pela própria banda, que acerta de em cada detalhe para torná-lo matador. A cozinha é pesada como sempre, não é necessariamente um destaque, e as linhas de guitarra, como dito antes, tem influências do Metal extremo moderno que muitas vezes é tensa e prolongada, e que de repente já descambam para riffs rápidos de fazer o ouvinte agitar a cabeça. O único ponto baixo do disco é a própria capa dele, que não dá pra ler quase nada! Mas no conteúdo disco, esse caos é muito bem-vindo e bem executado com sua linearidade e competência.
Gravadora: Metal Blade Records
Faixas:
01. American Dreams
02. The Ultimate Sacrifice
03. The Strong Prevail
04. Black Rivers Flow
05. Casting Forward
06. Light A City (Up In Smoke)
07. Through Your Eyes
08. Beneath the Waves of Hatred
09. Eternal Vengeance

Banda: Evile
Álbum: Five Serpent's Teeth
Estilo: Thrash Metal

Sobre a banda: Evile é uma banda inglesa nascida em 2004 que havia começado fazendo cover de Metallica, e desde então, esse karma vem se arrastando com as influências dessa banda. E mais do que isso, parece que o Evile é uma união do Metallica e Slayer, por haverem riffs que lembram o Metallica em 80, e ter o clima caótico do Slayer! Não se sabe ainda quem é a mãe.
Sobre o álbum: O álbum começa com ”Battery” “Five Serpetnt’s Teeth”, e continua com seu clima metallico por todo o álbum, ainda mais com a voz de Matt Drake ter o mesmo estilo de cantar de James Hetfield (dos anos 90 pra depois). Felizmente, as aparências a outras bandas prestigiadas acabam nos riffs, que apesar de serem seu maior trunfo, a banda também apresenta composições virtuosas e bem complexas, que dão brilho à obra e a deixam com cara de novidade. A produção aqui também é mais evoluída e profissional que seus trabalhos anteriores anteriores. E o melhor é que aos poucos, a banda vai conseguindo personalidade enquanto copia o que já foi feito busca influências do que já foi feito, mistura e voilá, faz um Thrash Metal diferente das bandas revival que existem por aí. O Evile acrescenta e ainda tem muito pra mostrar.
Gravadora: Earache Records
Faixas:
01. Five Serpent's Teeth
02. In Dreams of Terror
03. Cult
04. Eternal Empire
05. Xaraya
06. Origin of Oblivion
07. Centurion
08. In Memoriam
09. Descent Into Madness
10. Long Live New Flesh

Banda: Onslaught
Álbum: Sounds Of Violence
Estilo: Thrash Metal

Sobre a banda: O Onslaught é uma banda veterana no Thrash Metal, e tão undeground e “de raiz” que lançou mais demos e EPs que discos oficiais, que no total, são cinco contando com o último. E entre hiatos e longas pausas, a banda foi seguindo a vida, onde ela foi experimentando uma pegada mais elaborada e até melódica no meio do caminho, mas sem deixar a sua essência Thrash.
Sobre o álbum: A dita pegada melódica fica evidente na introdução, que parece uma dessas introduções de Metal Melódico, mas pesada e cadenciada. E o álbum segue com sua identidade furiosa com uma face agressiva e obscura, pesada e com uma produção primorosa que deu lugar a todos os instrumentos, com destaque à bateria que está destruidora. A produção também tirou um pouco da sujeira e clima antiprofissional que os exigente adoram, mas isso não é nem de longe um defeito. E o disco conta com participações de Phil Campbell do Motörhead e Tom Angelriper do Sodom em certos vocais, além de ter um cover do Motörhead na faixa #11. Depois de tanto tempo sem registros oficiais, esse certamente é o ápice que a banda chegou! Agora é só esperar mais uns 6 anos pra aparecer outro disco da banda e ver se ele supera ou não “Sounds Of Violence”.
Gravadora: AFM Records
Faixas:
01. Into the Abyss (Intro)
02. Born for War
03. The Sound of Violence
04. Code Black
05. Rest in Pieces
06. Godhead
07. Hatebox
08. Antitheist
09. Suicideology
10. End of the Storm
11. Bomber (Motörhead cover)

Banda: Destruction
Álbum: Day Of Reckoning
Estilo: Thrash Metal

Sobre a banda: O Destruction também é uma banda veterana no Thrash Metal, que aliás, faz parte do Big Four Alemão: Destruction, Kreator, Sodom e Tankard. Então seria redundância falar que a banda tem um som agressivo, visceral e “AAAAAAAAAAHHHHHH!!!!”.
Sobre o álbum: Dê o play no disco. Em alto volume. AAAAAAAAAAHHHHH!!!! E o resto do álbum vai nessa linha de destruição e caos organizado. Tudo é composto com perfeição: o recém-chegado baterista Vaaver (sim, tá escrito certo) que não faz feio em sua estreia e surpreende com seu bumbo duplo (coisa que todo mundo presta atenção), o vocalista que parece não ter sentido a velhice e mantendo a mesma voz, e o baixo que marca o ritmo e dá o peso necessário a tudo. Tudo isso é unido para fazer um álbum que resgata a sua sonoridade antiga e ainda buscar elementos do Metal extremo atual, resultando numa equação acertada de peso e agilidade que é marcante e surpreendente. “Day of Reckoning” é um marco que pode ficar entre os melhores registros da discografia do Destruction.
Gravadora: Nuclear Blast Records
Faixas:
01. The Price
02. Hate is My Fuel
03. Armageddonizer
04. Devil's Advocate
05. Day of Reckoning
06. Sorcerer of Black Magic
07. Misfit
08. The Demon is God
09. Church of Disgust
10. Destroyer Or Creator
11. Sheep of the Regime

Banda: Legion of The Damned
Álbum: Descent Into Chaos
Estilo: Thrash Metal, Death Metal

Sobre a banda: Legion of the Damned é uma banda nascida em 2005 que trabalha muito até, lança uma obra a cada ano e nunca muda seu estilo dinâmico e bruto de tocar.
Sobre o álbum: Este autor não sabe ao certo se existem três capas diferentes para o mesmo álbum, mas isso é o de menos. Como sempre, a banda consegue manter a qualidade em seu Thrash Metal com a pegada crua e violenta do Death, e nos apresenta um álbum bem dinâmico, furioso e direto, de cair no gosto imediato dos fãs do estilo. E não é pra menos, além do álbum bem produzido - pela própria banda e pelo multi-instrumentista Peter Tagtgren, das bandas Hipocrisy e Pain, as composições são o ponto chave para toda a mecânica destruidora do disco, que tem um vocalista agressivo e uma cozinha técnica com peso na medida certa, com doses suficientes para vibrar com "Descent Into Chaos". E é muito chato quando você só tem o que falar bem de um disco, o que resta é enrolação!
Gravadora: Massacre Records
Faixas:
01. Intro (Descent Into Chaos)
02. Night of the Sabbath
03. War in My Blood
04. Shrapnel Rain
05. Holy Blood, Holy War
06. Killzone
07. Lord of the Flies
08. Desolation Empire
09. The Hand of Darkness
10. Repossessed

Banda: Vader
Álbum: Welcome to the Morbid Reich
Estilo: Death, Thrash Metal

Sobre a banda: Esta é uma das bandas mais clássicas do Death Metal tradicional, e já tem sua história consagrada com quase nenhuma falha na carreira (com certeza algum tr00 vai achar uma). A fórmula que a tornou clássica funciona até hoje: é só manter a bateria sem parar de fazer blast beats, ter uns solos pra não cansar o ouvinte com tanta sujeira, e outros detalhes.
Sobre o álbum: Quando ouvimos um CD como esse, percebemos que não dá pra entender os exigentes quando eles querem bandas inovando. Além do Vader não precisar, desde 1983 que a banda não mostrou fraqueza por causa do tempo e nem subestimou os fãs com seu som absurdamente contagiante. Neste álbum temos uma amostra de como a banda é profissional e tem exímio domínio: começando com uma introdução colada com a segunda música, a cadência e atmosfera soturna imerge o ouvinte àquele mundo, até não deixá-lo respirar com uma música pesada atrás da outra, com ótimos momentos e passagens variadas, em solos inspirados e riffs muito bem acertados. Tudo é bem coeso e marcante, tornando esse álbum um dos melhores de 2011, e provavelmente um dos melhores carreira do Darth Vader.
Gravadora: Nuclear Blast
Faixas:
01. Ultima Thule
02. Return to the Morbid Reich
03. The Black Eye
04. Come and See My Sacrifice
05. Only Hell Knows
06. I Am Who Feasts upon Your Soul
07. Don't Rip the Beast's Heart Out
08. I Had a Dream...
09. Lord of Thorns
10. Decapitated Saints
11. They're Coming...
12. Black Velvet and Skulls of Steel

Banda: Necrophagia
Álbum: Deathtrip 69
Estilo: Death Metal

Sobre a banda: Essa é uma das bandas mais típicas de Death Metal, no quesito de temas de terror. Sangue, cemitérios, sexo pra além do sadomasoquismo, criaturas de dentes afiados que arrancam sua tripas numa mordida, essas coisas fazem parte da vida de uma banda feliz de som pesadinho.
Sobre o álbum: Com temas como esse, um clima teatral cai muito bem, e é o que vemos neste disco cheio de surpresas, variado e com um ritmo bem marcante pra ficar ecoando na cabeça. O tradicionalismo é estranhamente surpreendido pela boa produção do álbum, o que traz uma face polida e suja ao mesmo tempo às músicas, cheia de riffs arrastados, linhas de guitarra agudas e batidas intensas e marcantes. As músicas podem não ser rápidas na velocidade das trevas, mas não deixam de ter força e poder. No saldo geral, um bom disco pra respirar bem enquanto não se deixa de ouvir algo extremo, atmosférico e mórbido. E por fim, essa capa é muito ruim.
Gravadora: Season of Mist
Faixas:
01. Naturan Demonto
02. Beast With Feral Claws
03. Tomb With a View
04. Suffering Comes in Sixes
05. A Funeral for Solange
06. Kyra
07. Bleeding Eyes of the Eternally Damned
08. Trick R' Treat (The Last Halloween)
09. Deathtrip 69
10. Death Valley 69

Banda: DevilDriver
Álbum: Beast
Estilo: Melodic Death Metal

Sobre a banda: DevilDriver, essa é uma banda que pode enganar à primeira vista. Nascida nos Estados Unidos (vish) em 2003 (cruz-credo), empresariada pela gravadora RoadRunner (eita ferro!) tocando o som glorioso do Nu Metal (ARGH!), a banda era chamada de Mallcore, ou seja, "som pesado, mas que é acessível e vendível a todos os adolescentes que acham que estão ouvindo coisa pesada de verdade". Com o tempo a banda foi mudando a sua sonoridade, provando que há uma tênue linha entre o Metal enferrujado e herege (Nu Metal, Metalcore) e o Metal de verdade (Death Metal, Death Melódico), coisa que engana muta gente até hoje - inclusive este autor que vos fala, que já foi acometido pelo engano.
Sobre o álbum: Para fugir desse caminho tortuoso, a banda buscou fazer um disco bem linear, com todas as músicas soando iguais e com a mesma sonoridade: riffs arrastados e singulares com timbre médio e um pouco de groove, além da voz que se intercala entre o gutural e o simples arrastado de tom médio. Essas características podem torcer o nariz dos que estão acostumados ao Metal não-enferrujado que não usa esses elementos, mas os fatos concretos são que a banda toca suas músicas de forma bem coesa, e não remete à heresia de outrora, nem chega a lembrar outras bandas hereges. O único ponto negativo no álbum é que ele é repetitivo e sem muita variedade, o que o torna mediano e sem muitas atrações. Mas de heresia, ninguém pode acusá-lo!
Gravadora: Roadrunner Records
Faixas:
01. Dead to Rights
02. Bring the Fight (to the Floor)
03. Hardened
04. Shitlist
05. Talons Out (Teeth Sharpened)
06. You Make Me Sick
07. Coldblooded
08. Blur
09. The Blame Game
10. Black Soul Choir
11. Crowns of Creation
12. Lend Myself to the Night

Banda: Amaranthe
Álbum: Amaranthe
Estilo: Uatarréu

Sobre a banda: Amaranthe é uma banda nova que já conseguiu muito destaque por ser uma dessas bandas que inovam, sabe? Por isso que ela é do gênero adotado por esta Bíblia quando não se consegue definir algo: o Uatarréu. A banda tem ao todo três vocalistas, sendo uma cantora pop, um cantor pop e um cantor gutural. Também há sintetizadores e elementos eletrônicos, e um ritmo bem marcado pela bateria e pelos riffs pesados e melódicos. Como em toda banda do gênero Uatarréu, você tem que conferir por si mesmo o que é esse troço.
Sobre o álbum: O álbum simplesmente mostra como essa mistura toda dá certo. Todo ele é muito bem preciso, coeso e bem acertado, não deixando nenhuma ponta solta e apresentando o máximo de organização para encaixar todos os elementos com perfeição. E todos estão unidos para somar, não há um destaque certo que se possa reconhecer, a não ser o trabalho dos vocalistas que se revezam. Mas a parte instrumental é incrivelmente variada e marcante, pesada, poderosa, agressiva e melódica, tudo ao mesmo tempo É como um Empowered Industrial Melodic Death Metal, entende? Você certamente nunca ouviu coisa igual. Talvez no Japão, onde acontece de tudo. "Amaranthe" É recomendado a todos os fãs de Metal que não tenham aversão e preconceito à sons eletrônicos e elementos pop. Se você não gosta disso, passe direto e continue sua vida.
Gravadora: Spinefarm Records
Faixas:
01. Leave Everything Behind
02. Hunger
03. 1.000.000 Lightyears
04. Automatic
05. My Transition
06. Amaranthine
07. Rain
08. Call Out My Name
09. Enter The Maze
10. Director's Cut
11. Act Of Desperation
12. Serendipity

Banda: Obscura
Álbum: Omnivium
Estilo: Technical Death Metal

Sobre a banda: Obscura é uma das bandas conhecidas de Death Metal com uma pegada pesada, ágil e agressiva, mas variada em andamentos, composições e ousadia. Esse é o chamado Death Metal Técnico, com sede de buscar a batida perfeita e pesada, e que o Obscura faz muito bem.
Sobre o álbum: O seu disco anterior "Cosmogenesis" de 2009 fora praticamente uma unanimidade entre os fãs, e neste disco a banda decidiu fazer a mesma coisa, mas com uma pitadas a mais de brilho, e não precisa dizer que o resultado foi também muito satisfatório. Geralmente em bandas de Death Técnico a bateria é o grande destaque, mas neste disco, ela é apenas parte de todos os elementos-chave. Existem grandiosas linhas de guitarra, variadas com belas experimentações, e a bateria firma toda essa técnica soberba com peso e ritmo necessário. Os vocais guturais já ficam um pouco a desejar por não causar tanto impacto quanto em outras obras, mas o que vale aqui é mais a parte instrumental que engole a performance do vocalista. Aqui, todos brilham e fazem um dos melhores trabalhos do Obscura, sendo também um dos melhores de 2011.
Gravadora: Relapse Records
Faixas:
01. Septuagint
02. Vortex Omnivium
03. Ocean Gateways
04. Euclidean Elements
05. Prismal Dawn
06. Celestial Spheres
07. Velocity
08. A Transcendental Serenade
09. Aevum

Banda: Graveworm
Álbum: Fragments of Death
Estilo: Doom, Black Metal

Sobre a banda: Graveworm é uma banda praticamente conhecida no meio do Black Metal sossegado e depressivo, com os tais elementos atmosféricos e cadavéricos do Doom Metal. Do início pra cá, a banda já fez bons registros e álbuns ruins, oscilando entre qualidade latente e tentativas frustradas de sucesso. E neste último lançamento, a banda tentou voltar às raízes e se manter com qualidade.
Sobre o álbum: Para voltar às raízes não é preciso muito, é só copiar o que já foi feito antes. Isso descreve basicamente o que o Graveworm fez, trazendo seu estilo caótico de palhetadas rápidas, riffs escuros e ambientações de teclado intensas, lembrando a boa fase antiga da banda, focando mais no instrumental pesado do que na atmosfera. Isso faz o teclado ser um mero acessório sem utilidade em muitos momentos, e nos outros em que ele tem certo destaque, não impressiona. Assim como a bateria que não sai da mesma batida e não ousa mudar. Mas há pontos positivos: o vocal gutural está bem afiado e aliado aos riffs que realmente fazem um bom trabalho, sendo bem compostos e ordenados, trazendo o peso e escuridão conhecida da banda. Este não é um álbum impressionante em termos de inovação ou mesmo criatividade, mas mostra como uma banda não pode se afastar muito de si mesma pra manter a qualidade e personalidade acima de tudo.
Gravadora: Nuclear Blast Records
Faixas:
01. Insomnia
02. Only Death in Our Wake
03. Absence of Faith
04. Living Nightmare
05. The World Will Die in Flames
06. Anxiety
07. See No Future
08. The Prophecy
09. Remembrance
10. Old Forgotten Song
11. Where Angels Do Not Fly
12. Awake

Banda: Burzum
Álbum: Fallen
Estilo: Black Metal

Sobre a banda: Burzum é uma das bandas mais importantes da história do Black Metal, sendo referência pra muitas e destacada por ser uma banda de um homem só. Sim! Varg Vikernes, o homem multi-instrumentista é quem rege todos os instrumentos. Muitas vezes a sua vida pessoal é intercalada com a profissional, e sua principal fonte de fofocas fama é pelo fato de ser um assassino, que matou o guitarrista da banda Mayhem (também de Black Metal) a facadas e sendo preso por mais de 10 anos. Em sua saída à cadeia, o Burzum começou a apostar numa sonoridade mais atmosférica e menos caótica, buscando elementos eletrônicos e o uso de sintetizadores.
Sobre o álbum: A começar pela produção do álbum, ele foi feito em apenas duas semanas e tem apenas sete músicas. E na capa, o Burzum usou a fonte Arial e escreveu os nomes em cima de uma imagem achada na internet! Fora essas demonstrações de preguiça, a tendência que se iniciou no álbum "Belus" de 2009 de deixar o álbum menos sujo, com produção melhor e com mais claridade nas composições, continua por aqui. O álbum segue uma linha bem coesa que mostra um Varg mais "citador" do que propriamente cantor, com sua voz limpa e sem notas vocais prolongadas no ritmo (o que define o ato de cantar), o que dá uma sonoridade nova ao Burzum quando unida a todo o contexto musical inserido nesse disco. Dando mais detalhes, os riffs agudos continuam típicos e a bateria não é nada pesada, e são usadas blast beasts apenas uma vez - que não são lá muito marcantes. O espírito desse álbum não é ser pesado, impactante e matador, mas sim atmosférico e intenso, perfeito para introspecção e projeção pessoal no ouvinte. É como uma terapia pesada que você assimila na mesma hora, e uma sonoridade que vem se mostrando bem encarada pelos fãs. Assim sendo, "Fallen" é uma boa obra da banda de um homem só.
Gravadora: Byelobog Productions
Faixas:
01. Fra Verdenstreet
02. Jeg Faller
03. Valen
04. Vanvidd
05. Enhver Til Sitt
06. Budstikken
07. Til Hel Og Tilbake Igjen

Banda: Nargaroth
Álbum: Spectral Visions Of Mental Warfare
Estilo: Black Metal

Sobre a banda: O Nargaroth é uma conhecida banda de Black Metal que se achou no direito de provar mais nada pra ninguém depois de tantos serviços prestados a Deus Metal, e decidiu trilhar um caminho diferente. Basicamente, o líder, guitarrista, baixista e tecladista Kanwulf quis ser igual ao Varg Vikernes e fazer um Black Metal orientado ao som atmosférico.
Sobre o álbum: O resultado são cinco faixas atmosféricas e três de Black Metal atmosférico, inclusive a faixa-título, que é a melhor do disco. A melhor de um disco que de tão atmosférico, se torna cansativo e pedante. A primeira música tem um teclado de estilo clássico e bem repetitivo, a segunda música tem um riff arrastado de guitarra, a terceira tem um som estranho e prolongado de "você não sabe definir exatamente", e na quarta música, você já dormiu e teve pesadelos. Você nem ouve a "rave atmosférica" da quinta faixa! O certo é que, quanto mais pretensão em fazer um álbum conceitual, mais é a cobrança e a missão de cumprir sua demanda. A experiência pode ser tão bem-sucedida quanto a de Burzum, quanto mal-sucedida como a desse disco do Nargaroth. Não há nada de Black Metal aqui, há apenas ruídos e sons prolongados de instrumentos repetitivos que dificilmente passam alguma emoção. E com certeza é um álbum infeliz que não alcança a proposta principal, que é ser bem-sucedido.
Gravadora: No Colours Records
Faixas:
01. Odin's Weeping for Jördh
02. An Indifferent Cold in the Womb of Eve
03. Diving Among the Daughters of the Sea
04. Odin's Weeping for Jördh - Part II
05. Journey Through my Cosmic Cells (The Negation of God)
06. A Whisper Underneath the Bark of Old Trees
07. Spectral Visions of Mental Warfare
08. March of the Tyrants

Banda: Morbid Angel
Álbum: Illud Divinum Insanus
Estilo: Death Metal, Industrial

Sobre a banda: O Morbid Angel é uma das bandas mais icônicas do Death Metal, que já fez várias obras consagradas e um dia decidiu que ia mudar. E a banda saiu do armário e foi tocar Industrial. UHUL! Se fosse outra banda, este autor nem colocaria aqui, mas como é o Morbid Angel, este autor não vai perder essa chance e vai analisá-la pela primeira vez... e num momento muito bom!
Sobre o álbum: Se fosse pra fazer pré-julgamentos sobre música Industrial e esculachar o disco, este autor nem se daria ao trabalho de colocar o Amaranthe nesta lista pra começar, então vamos ser profissionais e imparciais (o mais possível). Para julgar um disco, é preciso que se leve o contexto e o gênero que a banda toca, para que possa se fazer uma análise fidedigna. E por isso não é uma surpresa que "Illud Divinum Insanus" desagrade os fãs do Death Metal tradicional, MAS ele desagrada também os fãs mais fieis de Marylin Manson, Rammstein e Rob Zombie! A sonoridade Death Metal nesse álbum parece bem genérica e desinspirada, e as suas influências eletrônicas só ajudam a deixar esta incapacidade mais evidente. Em detalhes, o auto-tune imprimido no vocalista tira qualquer potência que ele pode ter, e os sons eletrônicos destroem toda chance dos instrumentos brilharem. Nem os riffs se salvaram, toda sonoridade se torna banalizada e o que sobra no final é lamentação. É um desafio ouvir mais de três músicas desse negócio. Corram pras colinas!!!
Gravadora: Season of Mist
Faixas:
01. Omni Potens
02. Too Extreme!
03. Existo Vulgoré
04. Blades for Baal
05. I Am Morbid
06. 10 More Dead
07. Destructos Vs. the Earth / Attack
08. Nevermore
09. Beauty Meets Beast
10. Radikult
11. Profundis - Mea Culpa

Banda: Belphegor
Álbum: Blood Magick Necromance
Estilo: Black, Death Metal

Sobre a banda: Nascida em 1993, Belphegor é uma banda que vem conseguindo destaque constante desde então, tendo sua melhor fase neste exato momento, que vem mostrando inspiração em fazer obras impactantes, intensas e pesadas.
Sobre o álbum: Se segurando um pouco, o Belphegor está menos destruidor aqui. Eu disse menos. Além de buscar elementos de Música Clássica em alguns momentos, a banda também mostra como está madura e evoluída, tanto em composições quanto nas técnicas que usa, tornando a obra bem mais do que um troço pesado, mas um troço pesado e complexo. Esta evolução acrescenta muito na proposta da banda em unir a destruição do Death e o caos atmosférico do Black Metal, aliando a voz tenebrosa a trilha sonora cadenciada, arrasadora e carregada de blasfêmias das profundezas do Inferno (MWAHAHA). A cozinha técnica aliada a versatilidade das guitarras até podem deixar a voz gutural e potente em segundo plano de tão atraentes que estão. Tudo isso mostra a progressão do Belphegor em fazer obras cada vez mais elaboradas e melhores, e "Blood Magick Necromance" é uma prova disso.
Gravadora: Nuclear Blast
Faixas:
01. In Blood - Devour This Sanctity
02. Rise to Fall and Fall to Rise
03. Blood Magick Necromance
04. Discipline Through Punishment
05. Angeli Mortis De Profundis
06. Impaled Upon the Tongue of Sathan
07. Possessed Burning Eyes
08. Sado Messiah

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